Nos últimos anos, a atividade praxística tem sido alvo de grande contestação por parte de toda a população portuguesa. De facto, muitos não entendem o seu objetivo, e é considerada por outros um ato de humilhação. Pelo menos dois casos tornaram-se mediáticos: a tragédia na praia do Meco e o desabamento do muro junto à #universidade do Minho, em Braga. Depois destes acontecimentos, tudo o que dizia respeito à #Praxe foi tornado quase tabu junto da comunidade portuguesa.

Mas será a praxe um monstro assim tão grande para elaborar opiniões tão diversificas? Na verdade, o termo “praxe” data de meados do século XIX, mas a sua prática e os seus rituais, no ensino superior em Portugal, são bem mais antigas.

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Por volta do século XVIII já os estudantes eram recebidos no seu primeiro ano com insultos, roubos, touradas e troças. Contudo, esta prática era tão violenta que fora proibida por D. João V, em 1722. O historiador Teófilo de Braga refletiu sobre este assunto e afirmou que “enquanto o estudante vivia em Coimbra, envolvido ou exposto às violentas investidas, tinha de andar armado até aos dentes”, podendo-se então concluir que a violência das praxes não é uma evolução moderna deste ritual, ao contrário do que muitos afirmam.

No seio da comunidade estudantil académica, a praxe, ao contrário do que muitos tem em ideia, não é fazer mal ao caloiro ou gozar com ele, mas serve, sim, para ajudar o caloiro ou o recém-chegado à Universidade a integrar-se no ambiente universitário, a criar amizades e a desenvolver laços de sólida camaradagem.

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É através da Praxe que o estudante desenvolve um profundo amor e orgulho pela instituição que frequenta, a sua segunda casa. Não é então descabido de todo afirmar, que a praxe bem praticada é, na maior parte dos casos, uma forma para os alunos do primeiro ano, que entram pela primeira vez num mundo desconhecido, abrirem os seus horizontes e fazerem novas amizades, e para não terem de enfrentar as pressões e as dificuldades de estarem longe dos pais pela primeira vez, sozinhos. #Educação