Em pouco mais de dois meses, um grupo de amigos de Hugo Ernano conseguiu juntar 55 mil euros para o ajudar a pagar a indemnização aos pais do jovem de 13 anos que foi morto pelo militar da Guarda Nacional Republicana, (#GNR) durante uma perseguição policial, no dia 11 de Agosto de 2008, em Santo Antão do Tojal.

Dos 55 mil angariados, 44 mil serão para dar à mãe e 11 mil para o pai.

Para um pai que levou o próprio filho para um assalto a uma vacaria e que terminou numa perseguição e morte do menor. Para um pai que, além de ter levado o filho para um assalto, ainda o o levou no interior de uma viatura em fuga das forças policiais, com todos os riscos existentes numa perseguição policial.

Publicidade
Publicidade

Nunca pensou no próprio filho, porque se pensasse, teria colocado o filho em segurança e nunca o teria exposto ao perigo como o fez; foi negligente duas vezes.

Um grupo composto por seis mil pessoas necessitou somente de 71 dias para conseguirm reunir a soma de que Hugo Ernano necessitava e não tinha, valor esse que foi condenado a pagar pelos tribunais.

Além de estar obrigado a pagar essa indemnização, Hugo Ernano cumpre ainda quatro anos de pena suspensa. No momento actual, esse militar está também a cumprir os 250 dias de suspensão, uma sanção decretada e aplicada pela Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI).

A suspensão terá o seu término apenas em Janeiro de 2017, e nesse período de tempo Ernano recebe apenas um terço do ordenado.

O valor da esperança

Hugo Ernano afirmou entretanto, ao Correio da Manhã, que, além de todos juntos lhe terem tirado uma cruz das costas, ele ganhou algo muito mais valioso; ele ganhou uma família.

Publicidade

Referiu ainda que essas pessoas não o ensinaram a voar, mas sim a acreditar e a ter esperança.

De recordar que Hugo Ernano é o militar da GNR que em 2013 foi condenado, pelo tribunal de Loures, a 9 anos de prisão efectiva e a pagar uma indemnização milionária aos pais do menor. Foi a pena mais pesada dada em Portugal a um elemento das Forças de Segurança.

Mas entretanto o Tribunal de Relação de Lisboa reduziu a pena para 4 anos, com pena suspensa, e diminuiu bastante a indemnização a ser paga pelo militar, mas que o Supremo aumentou de novo, após a acusação ter recorrido a essa instância, com esse único propósito, o de aumentar o valor da indemnização.

É de salientar, que o pai do menor além de ter levado o filho para um assalto, e para uma perseguição policial, era um evadido da justiça, e ainda se fez passar por quem não era em tribunal. Evadido da justiça, porque tinha fugido do estabelecimento prisional de Alcoentre, onde estava a cumprir pena por roubo e agressão.

No final das contas, a condenação do militar para o pai pouco importava, o que realmente importava mesmo era o dinheiro a receber, quanto mais melhor! E o Supremo aumentou. #Solidariedade #Polícia