Caro Nuno,

Estive contigo em Alvalade, em Setúbal e no Dragão, contra o Benfica. Contigo e com a equipa. Certo de que somos melhores. Certo de podermos vencer qualquer adversário. Mesmo tendo em conta que não te foi disponibilizada uma defesa à Porto, embora esta tenha sido melhorada relativamente à da época passada.

Não vi a equipa ganhar nesses 3 jogos. E, pior que isso, só vi um Porto à Porto nos primeiros 60 minutos no jogo deste último domingo, frente ao nosso maior rival.

Eu gostaria de te pedir para aproveitares esta pausa no campeonato para verificares o que se tem passado nos jogos desta época.

Começando pela situação mais premente, Herrera: ele não é jogador para o nosso clube, já o digo há quase três anos.

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Não tenho nada contra a pessoa dele, apenas contra o jogador que (não) é. Pode ser fantástico no México, pode vir a ser brilhante em Itália ou em Inglaterra, mas não é jogador à e para o FC Porto. E muito menos é jogador para ser capitão da nossa equipa. O lance pelo qual ele tem sido tão criticado nestes dias é apenas uma amostra do tipo de jogador que é. Eu percebo um mau passe, eu percebo uma grande penalidade falhada, eu percebo um frango. Acontecem. O lance que Herrera protagonizou, bem como a falta de garra ao tentar evitar o cruzamento para a área, não é pouca sorte, é incompetência, é falta de concentração. Além disso, recorrentemente ele não completa um corte, ele não sprinta, quer para atacar quer para defender, ele não galvaniza, ele não compensa, ele não dá o exemplo, ele não "come a relva", ele não puxa ou empurra a equipa.

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Ele não pode ser comparado, como capitão, a um João Pinto, a um Jorge Costa, a um Vítor Baía ou a um Helton. E, como jogador, não pode ser comparado a um Frasco, a um Deco ou a um Lucho. E temos que perceber que não são estes que foram uma excepção, a excepção é Herrera. Dá, por favor, uma ajuda a ambos, Herrera e FC Porto, e deixa-o prosseguir a carreira noutro lado.

Pedia-te também que analisasses o que aconteceu na substituição, bem feita, neste clássico, de Corona por Rúben Neves. Danilo foi um monstro a ocupar o campo enquanto jogou sozinho em frente aos centrais. Mas o Rúben foi colocado ao seu lado e isso desestabilizou totalmente o, quanto a mim, nosso melhor jogador. Danilo tem que jogar sozinho nessa posição, Nuno! Isso aumenta exponencialmente o seu rendimento e não deixa a equipa tão recuada, uma das causas para não termos vencido o último jogo.

Depois, gostaria de perceber a insistência em Oliver. Um mágico só é bom mágico se terminar bem os seus truques. Se a mulher serrada voltar a caminhar inteira, se o acorrentado no interior do tanque sair dele a respirar.

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As acções de Oliver têm sido inconsequentes, não criam uma oportunidade de golo. O que aconteceu a André André, a Evandro, a Sérgio Oliveira? E qual é o problema com Brahimi?

Não duvido do teu portismo, Nuno. Como profissional e como adepto. Acredito que sintas a tua máxima "Somos Porto!". Mas, neste momento, nas tuas funções, não podes apenas senti-lo. Tens a responsabilidade e a obrigação de a fazer ser sentida por todos os que estão presentes no teu balneário. Só assim voltaremos ao lugar que é nosso, ao lugar de melhor clube português e de um dos oito melhores da Europa constantemente.

Somos Porto quando não justificamos maus resultados com arbitragens como fazem os nossos adversários, mesmo quando temos motivos para nos queixarmos, como aconteceu em Alvalade, contra o Copenhaga, em Setúbal e contra o Benfica. Se não temos a atitude correcta, só nos podemos queixar de nós próprios, como o fizeste. Mas não somos Porto quando jogamos menos do que 90 minutos, quando não pomos o pé, quando não vamos à procura do segundo golo, quando não vamos à procura do terceiro. E não somos Porto quando deixamos de ser Porto, mesmo que só por uns instantes.

Sejamos sempre Porto, Nuno. Temos que ser sempre Porto.

Um abraço.

Miguel #nuno espirito santo #F.C.Porto