Surpresa ou talvez não? Se calhar talvez não. Uma eleição democrática pressupõe a tomada de opções. E a capacidade de poder mudar consoante a natureza das propostas dos candidatos. O que pode ser tomado como um raciocínio óbvio, cai no turvo a partir do momento em que não estamos disponíveis para mudar. A partir daí, o fanatismo surge no máximo do seu esplendor.

A vitória de Donald Trump representa o triunfo do fanatismo e, sobretudo, o triunfo do fanatismo como resposta ao fanatismo. Só muda mesmo o contexto geográfico, até porque os homens não são assim tão diferentes, estejam eles na Síria ou na Polinésia. Muda, claro está, a intensidade com que o fanatismo se manifesta, sendo que o conceito de respeito pela vida humana, por muito retrógrado que pareça, ganha contornos de excepcional importância.

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A vitória de Donald Trump representa, também, a derrota de um segundo estádio de pensamento político em que se pretende validar virtudes e defeitos de esquerda e direita. Globalmente, seria melhor ainda estarmos num primeiro estádio, em que fosse prioritário combater-se o fanatismo, e secundário optar-se por um pensamento de esquerda e ou de direita. Porque, no fundo, trata-se de uma opção entre o bom senso e o extremismo. E vale a pena pensar que Hitler também foi eleito em contexto democrático.

Por outro lado, o eleitorado flutuante é determinante para uma democracia sólida e moderna. Revela pensamento crítico e ponderação, dois aspectos cruciais para se eliminar o extremismo do mundo. Penso logo existo e não existo para aceitar à posteriori. Sem juízo crítico. Sem criação de contexto.

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Outro aspeto a ter em conta: #Donald Trump não se preocupou em passar ideias ou propostas. Preocupou-se em passar a mensagem que os americanos queriam ouvir: "Make America Great Again". Num país onde George W. Bush é, em muitas regiões, idolatrado, os democratas cometeram o erro crasso (e obviamente custa-me dizer isto) em escolher uma mulher como sua candidata. Se há uma opção maciça de eleitores pró-Trump então também há um grande lote de eleitores que não vota em Hillary Clinton por ela não ser um homem. É preciso ter em linha de conta que a igualdade homem-mulher é uma conquista relativamente recente na História do Ocidente. E ainda não totalmente global.

Resta-me a ténue esperança que Trump não vá fazer metade daquilo a que se propôs. E ele saberá disso. Ao fim ao cabo, chegamos a um cúmulo em que todos desejamos que a vitória de Trump tenha sido a vitória do populismo e não do fanatismo. #EUA #Eleições Americanas