Quaresma é sinónimo de desequilíbrio. E, no futebol, o desequilíbrio tem duas faces: uma positiva e uma negativa, sendo que o ideal nestas situações é mesmo o ponto médio. Quanto a mim, a carreira de #quaresma ficou um pouco aquém daquilo que poderia ter sido por isso mesmo. O tal ponto médio. E não cantar uma música que nos levou ao êxtase depois de um inexplicável golo de trivela e nos pôs de mãos na cabeça na sequência de consecutivas perdas de bola em zonas proibitivas.

Jogo frente à Letónia. E agora juntemos Pepe à equação Quaresma. Pepe é um central rápido, que permite que a equipa jogue mais à frente e arrisque mais.

Publicidade
Publicidade

Ou seja, é um jogador mais propenso a corrigir os erros dos colegas, sobretudo através da velocidade e da capacidade de recuperação. Fernando Santos não temeu a Letónia. Sabia que a selecção portuguesa era superior. Mas temeu colocar Quaresma de início sem Pepe por uma questão de equilíbrio. E, na sua génese, o seleccionador português é prudente e não gosta de correr riscos desnecessários. Por muito que saiba que a selecção tem de mudar de paradigma (isto é, não jogar tanto em função do adversário como o fez no Euro), Fernando Santos prefere garantir os serviços mínimos. Daí que, na minha opinião, Quaresma sem Pepe, e sem Danilo Pereira, seria sempre sempre um risco. Tal aconteceu, também, na meia-final entre #Portugal e País de Gales: não jogou Pepe e também pouco jogou Quaresma (3 ou 4 minutos com o jogo já resolvido).

Publicidade

Sem coincidência.

Voltando ao jogo frente à Letónia, o mesmo foi-se complicando. Portugal era superior mas sentia dificuldades em “expandir” os seus laterais e, nessa lógica, explorar os corredores. É lógico que mesmo no problema a selecção portuguesa tem mais soluções, sobretudo porque soube jogar em cima do adversário. William Carvalho, que é muito criticado por não ser um jogador rápido, é um elemento que percebe as decisões do adversário e sabe condicioná-las, o que acaba por ser um bom remédio para a sua falta de rapidez. André Gomes raramente perde a bola e garante circulação, sobretudo a uma dupla Ronaldo-André Silva que se vai solidificando. Mas faltava faixa, faltava largura. E o jogo até que foi fácil de se explicar: golo da Letónia (a aproveitar adiantamento do lateral e má reorganização defensiva) e pontapé na enciclopédia! Lugar ao risco e ao instinto. Quaresma em campo e, felizmente para Portugal, o lado positivo do seu desequilíbrio transformou um jogo tremido num jogo fácil.

Publicidade

Também Gelson foi importante, como é óbvio. Mas mais do que analisar jogadores, o jogo frente à Letónia serviu para se continuar a perceber a principal característica do seleccionador português: a prudência.

Os próximos dois jogos da selecção serão absolutamente decisivos. Frente à Hungria em casa e frente à Letónia fora. A Hungria comprometeu o seu apuramento ao empatar fora frente às Ilhas Faroé, pelo que o jogo frente a Portugal é uma verdadeira final para os magiares. O contexto não é favorável aos húngaros, que mostraram no Euro2016 ser uma equipa com uma excelente mobilidade ofensiva. Apesar da derrota frente à Suiça, a equipa portuguesa acabou por dar a resposta necessária frente a Andorra e Ilhas Faroé. Ganhou e goleou. Gato escaldado do desempate tem medo, e nada melhor que um contentor de golos para nos colocarmos na dianteira sabendo-se que, em igualdade de circunstâncias, o desempate se fará não pelo confronto directo mas antes pelo número de golos marcados.

O jogo frente à Letónia ficou marcado pelos golos de #Cristiano Ronaldo. Só uma hecatombe impedirá o capitão da selecção de conquistar a sua quarta “Bola de Ouro”. Não há grande discussão, inclusivamente. Sobre este assunto levanta-se, sobretudo, uma conclusão. É ou não notável que um jogador que não é criativo seja eleito o melhor do mundo por quatro vezes? Tremenda vitória do trabalho e do empenho. Por quatro vezes!!!