Há mais Nobel para além de Bob Dylan. Mais justo ou menos justo, certo é que a atribuição do Nobel a Bob Dylan vai permitir um outro protagonismo a um prémio que reconhece a excelência. Excelência essa que não teve os holofotes mediáticos nos anos anteriores. Como aconteceu em 2003, quando John #coetzee foi distinguido com o Nobel da Literatura. Ganhou e o seu nome passou quase despercebido. Não é comum encontrarmos um “Coetzee” entre os principais destaques das livrarias.

A sua obra mais conhecida é “Desgraça”, que foi publicada em 1999. No entanto, a escrita de “No Coração do País” – uma das suas primeiras obras - não deixa ninguém indiferente, sobretudo no que toca à sua ligação à terra.

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Ao coração da África do Sul. É um livro telúrico, quer no aspecto das descrições e das paisagens, quer no aspecto do conhecimento das pessoas que o compõem. Nota-se uma clara relação entre espaço e intervenientes. Um equilíbrio sentido na escrita e na imaginação que provoca no leitor.

Depois, mais do que um livro que dá a conhecer a África do Sul profunda, “No Coração da Terra” apresenta uma escrita simples e sentimental. Conta a história de uma rapariga ignorada pelo pai após a morte da mãe. A história em si, lida e sentida, traz ao leitor a sensação de que não se trata de uma “história em si” mas antes de uma normalidade. Ou seja é traçado um retrato de uma história entre mil e não do acontecimento. Ou seja, uma realidade. Uma realidade de violência e de pancadaria, aliás uma das cenas mais salientes desta obra notável.

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Complexa mas notável!

E essa realidade contempla também a relação do personagem principal com a figura do pai. E da relação com a madrasta, cuja chegada transforma a vida num pesadelo. A escrita de Coetzee consegue traduzir, de forma sublime, os sentimentos de tristeza e de angústia. Junta-se, a posteriori, a vontade de matar e a repressão dessa mesma vontade de matar. Uma vontade de libertação e de cura. Uma solução para os maus-tratos, para uma vida quase comparável à situação animal.

Remete também para a tónica da diferença. A falta de igualdade entre homem e mulher nos pequenos atos do quotidiano e também na definição do destino à partida. Não é um livro fácil de se ler, mas é um livro que entusiasma pelos cenários, pelos personagens e, sobretudo, pela sua escrita leve mas recheada de componente sentimental. E ficamos a conhecer melhor a África do Sul! #Livros #Literatura