Começa a propagar-se entre alguns sportinguistas a convicção de que o seu presidente está a ser alvo de um assassinato de carácter por parte da imprensa. A convicção não é descabida, sejamos claros e isentos. Nos últimos meses Bruno de Carvalho esteve nas primeiras páginas, sempre pelos piores motivos e raramente tendo feito algo que o justificasse. Foi a sua separação e subsequente namorico em Londres - assuntos pessoais que a ninguém deviam interessar. Foram as penhoras aos seus bens - assunto reciclado pela imprensa a cada três meses. E foi o "#Cuspidelagate" - este sim, assunto de interesse nacional, ou não estivéssemos em Portugal.

Ora foi este último evento de importância magna que fez nascer a revolta sportinguista nas redes sociais.

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Seria muco ou seria vapor? Vapor não seria certamente, porque vapor não se propaga assim. Mas, mais importante que isso, por que raio é que os jornais não largavam Bruno de Carvalho? Ele que é uma pessoa tão pacata e pacífica.

Alguns sportinguistas começaram então a juntar dois e dois e quando o resultado foi um esclarecedor "22" gritaram "Eureka!". Em meia dúzia de horas o #trumpganhouumaeleiçaoassim começou a ganhar tracção nas redes. O conhecido humorista Eduardo Madeira aproveitava o balanço e declarava solenemente que "a imprensa está a cometer os mesmos erros em todo o lado. Tentaram assustar os defensores do Brexit; tentaram denegrir a nossa selecção em França; tentaram eleger Hillary à força. Tudo para satisfazer interesses. Mas a coisa teima em não correr bem. Cuidado. Vejam lá se não fabricam outro vencedor inesperado".

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A coisa começava a ganhar contornos de cabala. Percebemos então que a imprensa, para "satisfazer interesses", estava a denegrir a imagem de Bruno de Carvalho e, quem sabe, a torná-lo num vencedor (pasme-se!).

Aquilo que aconteceu no referendo ao Brexit ou na eleição de Trump está para o que se passou no túnel de Alvalade como uma Assembleia Geral das Nações Unidas está para um bitoque sem ovo. Aquilo que se passou nos dois primeiros eventos ainda está em larga medida por explicar mas, com certeza, fundar-se-à numa total incompreensão daquelas que são as atuais ambições e preocupações de dois povos. O que se passou no túnel de Alvalade mesmo tendo em comum com os outros dois o facto de estar ainda por explicar, não passou de uma triste cena de "agarrem-me que eu vou-me a ele". Iniciada (pelo menos nas imagens) pelo aguerrido Carlos Pinho e a que Bruno de Carvalho deu uma sequência à altura dos intervenientes, cuspindo (muco ou vapor, como preferirem) na face irada de Pinho.

O facto de este acontecimento ter tido o eco que teve não se deve a qualquer "intifada" da imprensa contra o presidente do Sporting.

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Deve-se apenas e só a Bruno de Carvalho, uma vez que o túnel, as câmaras, os vídeos entretanto vindos a público, o cigarro eletrónico e o muco são sua pertença. Foi ele que decidiu divulgar o vídeo. O motivo que levou a fazê-lo permanece por explicar mas desconfia-se que seria sua convicção que as pessoas ao verem a fita, perceberiam que foi de facto Carlos Pinho que partiu para cima dele e não o contrário.

Eventualmente quando analisou as imagens não contou que se visse a cuspidela. Independentemente de haver ou não cuspidela, o que é verdadeiramente extraordinário é Bruno de Carvalho achar que alguém poderia sair vencedor da divulgação daquelas tristes imagens. E ver os sportinguistas a gritar a plenos pulmões que "aquilo era vapor!!" como se isso apagasse o triste espetáculo que o seu Presidente protagonizou naqueles momentos, torna tudo ainda mais do foro do absurdo.

A conclusão a que chegamos é que há um número respeitável (mais ou menos) de adeptos do clube dos viscondes que acha normal que dois presidentes de clubes se envolvam em escaramuças no túnel, desde que não haja troca de fluidos. Isto, só por si, é um sinal dos tempos. Como, de resto, o são os resultados do referendo ao Brexit e a eleição de Trump.

"The times they are a changing.." #Arouca #BrunodeCarvalho