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Pedro João Dias andava fugido há 28 dias e era, até esta terça-feira (8 de Novembro), o homem mais procurado em Portugal. Deixou de o ser porque inesperadamente entregou-se às autoridades em Arouca, na companhia de três advogados e sob os holofotes de uma estação de televisiva pública, a RTP. Apareceu com tão bom aspecto e tão bem vestido que ninguém diria que tinha andado fugido durante 28 dias.

A televisão mostrou em directo a rendição de #Pedro Dias.

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Seria interessante saber quem avisou a RTP que ele estaria ali, àquela hora, para se render. E já agora, como é que um alegado homicida tem permissão para fazer uma reportagem, ou mesmo ser entrevistado em directo na televisão? Dá a sensação que para ele tudo é possível e permitido, e isso realmente é inacreditável.

O suspeito dos homicídios de Aguiar da Beira refere que é inocente e que não matou ninguém. Mas se naquela fatídica madrugada apenas lá estavam Pedro Dias e os dois militares da #GNR, ninguém mais do que ele poderia ter sido o responsável por balear os dois militares, tendo mesmo tirado a vida de um deles. E ainda afirma que não matou…

Relativamente ao caso da morte do civil, a mulher que também foi baleada e ficou gravemente ferida luta actualmente pela vida numa cama de um hospital e será a única testemunha que poderá identificar ou não Pedro Dias.

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Pedro Dias afirmou não ter assaltado casas, mas o que é certo é que as impressões digitais, os cabelos e o sangue encontrados na Casa da Eira pertenciam afinal ao alegado homicida de Aguiar da Beira, facto que já foi confirmado pela própria Polícia Judiciária. Depois da #detenção conseguiram as impressões digitais dele que permitiram esta confirmação. Por isso, agora fica óbvio porque os pais recusaram colaborar com a PJ quando lhes foi solicitada ajuda para comparação do ADN.

Diz não ter assaltado a casa em Moldes (Arouca), mas o que é certo é que as autoridades encontraram um casal amarrado, amordaçado e agredido no interior da residência, que identificou bem a pessoa que lhes fez isso, afirmando tratar-se de Pedro Dias, que além de os prender e agredir, ainda lhes roubou o pouco dinheiro que eles tinham e uma carrinha, que depois foi posteriormente encontrada abandonada na aldeia Carro Queimado, em Vila Real.

Mais uma vez ele comprovou ser calculista, ao referir que no fim de semana passado decidiu entregar-se esta terça-feira à noite.

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Mas são demasiadas as pontas soltas e as contradições que encontramos na versão dada por ele às autoridades e à televisão. Mas lá está, é a versão dele, o que não significa que seja a versão verdadeira.

Dá a sensação que ele foi muito bem instruído para dizer perante as câmaras da televisão tudo aquilo que disse, e fez isso na perfeição. Mas faltou-lhe alguma convicção, e o nervosismo também o traiu um pouco. Perante algumas afirmações ele baixou os olhos, podendo isso significar que afinal não estaria a dizer a verdade toda.

Aguarda-se agora que as investigações tenham o desenvolvimento adequado e que tudo venha a ser devidamente esclarecido, para que Pedro Dias seja finalmente julgado e condenado, nem que seja apenas por ter baleado dois militares da GNR, e tirado mesmo a vida a um deles.