Há algo de preocupante no discurso de Nuno Espírito Santo. Diz ele que “o processo defensivo está consolidado”. Isto é uma meia-verdade. Ou melhor, é uma verdade vista apenas de um dos lados. De facto, o FC Porto não sofre golos. Agora há que ver a outra parte. A outra parte que vê o processo defensivo como forma de impedir o adversário de marcar mas também como forma de se iniciar o processo ofensivo da equipa. E chego onde quero chegar: os centrais do FC Porto não conseguem ter a qualidade suficiente para sair a jogar. Para mim, dizer-se que o processo defensivo do FC Porto está consolidado é errado.

José Peseiro, no ano passado, constatou problema idêntico e resolveu-o através do recuo de Danilo Pereira.

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Argumentava que, frente a equipas extremamente defensivas, grande parte do jogo se desenrolava no meio-campo do adversário, pelo que era necessário ganhar superioridade no meio e, para tal, arriscar com uma defesa menos composta mas abarcando uma área ampla. No FC Porto de hoje, são os laterais que começam o processo ofensivo na maior parte das vezes, havendo logicamente menos soluções e provocando um maior desgaste da equipa. Por falar em desgaste, toco também no ponto forte dos dragões: a reação à perda e a recuperação da bola em zonas adiantadas. Outro problema que se evidenciou no Restelo.

Outro problema porque, para se exprimir esse ponto forte, é necessária uma grande frescura física. Rotação de jogadores, gestão de plantel. Com o mesmo onze que apresentou em Copenhaga, o FC Porto careceu de respostas físicas para colocar o seu ponto forte na relva.

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Se temos um ponto forte vamos assumi-lo e usá-lo para ser melhor que os outros, abraçando o perigo e deixando à mercê do adversário algumas vulnerabilidades. Ou seja, é preferível ganhar por 3-2 do que empatar 0-0.

Porque essa é a fórmula para ganhar o campeonato português. Por muito que as restantes equipas evoluam, ainda há um fosso relativamente significativo em relação aos ditos “três grandes”. Jogar ao ataque, com os centrais a fazerem parte do ataque. Como acontece no Benfica com Lindelof e no Sporting com Rúben Semedo. Há espaço à frente, toca a explorá-lo! Há que ganhar metros. Porque com isso a equipa fica mais próxima da baliza adversária. Aliás, não deixa de ser curioso: Lindelof cresceu como lateral-direito e Rúben Semedo fez meia época no V. Setúbal jogando como médio-defensivo. Duas posições no terreno que exigem, à partida, uma maior desenvoltura técnica, que é agora rentabilizada na posição de defesa-central nas respetivas equipas. Nada parece acontecer por acaso, joga-se também o passado do atleta, sobretudo com os hábitos adquiridos na formação.

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No #Benfica, o fim-de-semana ficou marcado por uma vitória fácil e por um pequeno ajuste. Ciente de que a sua equipa explora muito os corredores, nada como garantir a sua fiabilidade. Com Grimaldo de fora e Eliseu com outras características, o treinador do Benfica trocou Mitroglou por Jimenéz. Não obstante a existência de outras razões, certo é que o mexicano tende mais para os corredores, deixando caminho aberto aos médios em zonas centrais. E o beneficiado foi Pizzi, que é exímio no passe curto e também na finalização.

No #Sporting destaca-se a subida de rendimento de Bas Dost. Sobretudo no jogo de transição, o holandês combina melhor com os colegas, permitindo o adiantamento da equipa e o desequilíbrio coletivo. No Sporting sobressai Gelson. O ponto de desequilíbrio que faltava na época passada. Cria e finta nas zonas certas e no timing correto. Quando sabe que tem os colegas prontos a protegê-lo. Com critério. Mas quem ouviu das boas foi o lateral holandês Zeegelaar, que por acaso até está em alta. O Sporting vai tentando resolver um dos problemas da temporada passada: a falta de agressividade dos laterais, sobretudo a atacar. Por isso, tantas vezes foi Bruno César adaptado à posição de lateral-esquerdo. É a perspicácia de Jorge Jesus a funcionar; ele montou o melhor colectivo do campeonato português. #F.C.Porto