António Ferreira foi o militar da Guarda Nacional Republicana (GNR) que sobreviveu ao massacre de Aguiar da Beira. Massacre esse alegadamente realizado por Pedro João Dias. na madrugada de 11 de outubro, quando baleou 4 pessoas. Duas delas morreram, e as outras duas ficaram gravemente feridas. De salientar que um dos feridos foi o militar da GNR António Ferreira, e um dos mortos foi Carlos Caetano, também militar da GNR e colega do sobrevivente.

Na edição deste domingo (20 de novembro) do Correio da Manhã podemos ler em exclusivo mais alguns pormenores do testemunho dado pelo militar que escapou, por milagre, a uma morte quase certa.

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Segundo esse mesmo jornal, quando o militar se recorda daquela madrugada fatídica e fecha os olhos, só uma frase lhe vem ao pensamento: “Se te mexes, mato-te”! Pois essa era a frase que #Pedro Dias repetia sempre que o militar tentava reagir.

Poucas horas depois de Pedro Dias ter sido detido e mesmo ainda antes de ser presente ao juiz, o militar prestou o seu depoimento. Mas essa mesma versão de António Ferreira, relativa a todos os acontecimentos daquela madrugada, já tinha sido relatada por ele à Polícia Judiciária, mas agora repetiu tudo mais uma vez, desta vez ao procurador do Ministério Público (MP), que poderá até usar esse testemunho como prova.

Todos os acontecimentos foram relatados ao pormenor pelo militar sobrevivente, ao longo de 15 páginas. Foi com enorme emoção que o mesmo relatou os episódios com maior violência, e que certamente vai demorar muito tempo a esquecer (se é que os vai esquecer um dia...) O depoimento foi considerado muito consistente e sem contradições.

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O testemunho

António Ferreira contou que Pedro Dias atirou a matar quando deu conta que os militares estavam a pedir informações sobre ele. Ele contactou o posto da GNR de Fornos de Algodres, tendo sido avisado para que tivessem cuidado, pois o individuo em questão era perigoso, e andava armado. E foi nesse instante que o colega Carlos Caetano, que tinha colocado no bolso a carta de condução do suspeito, foi morto com um tiro na cara.

António Ferreira nem teve tempo sequer para reagir. Foi forçado a conduzir o carro por mais de uma hora, sempre ameaçado por uma arma, e obrigado mesmo a carregar o corpo do próprio colega para a bagageira, e foi algemado à porta do carro. Com Pedro Dias a conduzir a viatura, passaram algumas vezes no posto da GNR. O alegado homicida queria ainda matar mais guardas, mas António Ferreira conseguiu demovê-lo, ao afirmar que havia no posto vídeo-vigilância, e que ele seria imediatamente reconhecido.

Finalmente, levado de novo para o monte e forçado a algemar-se a um pinheiro, foi alvejado na cara e desmaiou.

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Terá sido mesmo esse desmaio que o salvou, pois o alegado homicida convenceu-se que ele morrera e fugiu do local, após ter atirado o corpo para uma valeta e o ter escondido com alguma vegetação. Todos estes factos revelam mesmo uma atitude bastante calculista, uma grande calma e uma frieza ímpar de Pedro Dias, tal como o militar da GNR sobrevivente descreve.

A vida de Pedro Dias na cadeia

O agora arguido Pedro Dias encontra-se a cumprir a medida de coacção de prisão preventiva na cadeia de Monsanto, um estabelecimento de alta segurança. Encontra-se ainda em período de adaptação à vida de reclusão. Toma as refeições na cela e tem apenas dois recreios diários, sem companhia. O único contacto que tem com os outros reclusos é mesmo pelas janelas das celas. Apesar das perguntas dos outros reclusos, Pedro Dias é sempre muito evasivo nas respostas.

Essa cadeia tem apenas uma sala de visitas com cabines individuais, onde recluso e visitante ficam separados por vidro e contactam através de um comunicador. O isolamento de Pedro Dias vai continuar até ao início de Dezembro.

Pedro Dias recebe visitas

Pedro Dias já recebeu a visita da filha mais velha, de 10 anos, tendo a mesma chegado acompanhada por uma tia e por mais uma mulher que se identificou como namorada do alegado homicida de Aguiar da Beira. #crimes #cadeia de monsanto