Não deixa de ser irónico. A equipa portuguesa que melhor desempenho teve na #Liga dos Campeões é aquela que menos pontos tem e que já está eliminada. O #Sporting. Quatro jogos excelentes e um jogo razoável (Dortmund em casa). Com a qualidade de jogo apresentada, facilmente os leões seguiriam em frente num grupo mais acessível. E Jorge Jesus tem razão.

Tem razão porque o Sporting até podia ter feito mais, mas não o fez por uma questão de detalhes. Foi a pequena falha que isolou Aubameyang no jogo em Alvalade; foi o detalhe que originou a falta que deu o golo de livre de Cristiano Ronaldo em Madrid; ou o lapso de Rúben Semedo que originou o golo do Dortmund na Alemanha.

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O Sporting não foi incompetente, teve apenas falhas pontuais.

Os leões fizeram mais um jogo de excelente nível frente ao Real Madrid. Pressionaram alto e obrigaram o Real a jogar longo por diversas vezes, tirando a bola do chão e, com isso, evitando os duelos individuais. Colectivamente, o Sporting consegue ser melhor que um Real que, individualmente, é assombroso. Do mais talentoso dos últimos anos. Basta-lhe colectivamente ser “assim-assim” para gerar um desequilíbrio brutal a seu favor. No jogo, até por diversas vezes o Sporting conseguiu sair de zonas de pressão com relativa facilidade. Mas para quê? Faz-me lembrar a selecção da Nigéria dos anos 90. A diferença de qualidade individual era tanta em relação às restantes equipas africanas que, ao fim ao cabo, chegava-se à conclusão que a táctica não era precisa para nada (o que obviamente não é verdade).

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O Real Madrid é uma equipa que gosta de atacar, tal como o #Benfica. E foi esse o principal ponto de ruptura dos encarnados na Turquia: o Benfica é sôfrego a atacar. O Benfica ataca com uma mobilidade incrível, mas não consegue viver sem atacar. É a sua nicotina. O Benfica não gosta de ser uma equipa chata. Sonolenta. E, nos últimos minutos, bastava fazer uma circulação em zonas mais baixas, com paciência e clarividência, para adormecer o Besiktas e fechar o jogo e o apuramento. Mas o Benfica não vive para isso. Viu-se no jogo frente ao FC Porto e, de forma evidente, na grande penalidade que deu o 2-3 aos turcos. Lindelof recuperou (com a mão, é certo) e toda a equipa se desdobrou num ataque rápido como se não houvesse amanhã. E, naquele caso, o hoje era bem mais importante que o amanhã.

Depois, o Besiktas não foi parvo. Tinha a lição estudada. Abusou dos cruzamentos ao segundo poste para as costas dos laterais, ponto onde o Benfica é mais vulnerável. Daí nasceu o primeiro golo dos turcos, um dos melhores da Liga dos Campeões deste ano.

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O Benfica não hipotecou as suas aspirações, mas esta vontade de não saber jogar sem ser a atacar já causou dissabores frente a equipas de maior valia: Nápoles, FC Porto e Besiktas. Aí, teria sido necessário um Benfica com outro perfil.

Uma questão de perfil. Ou uma questão de radicalismo. Para se analisar o FC Porto em Copenhaga é necessário rebobinar e analisar o jogo frente ao Chaves. Os flavienses são exímios a defender, com uma proximidade muito grande entre a sua linha defensiva e a sua linha média. Para os bater eram necessários jogadores criativos, bons a jogar em espaço reduzido. O FC Porto tem três (Brahimi, Corona e Óliver) mas nenhum deles foi a jogo na Taça de Portugal. O FC Porto até nem fez um mau jogo em Chaves mas, uma vez mais, foi um pouco avesso a jogar em função do adversário.

Algo que fez em excesso frente ao Copenhaga. Os dinamarqueses têm na busca da profundidade o seu principal trunfo. Temendo isso em excesso, o FC Porto recuou em demasia as suas linhas na primeira parte, fazendo dos ataques correrias constantes e decisões já no limite. Ou seja, o FC Porto jogou em Chaves pouco em função do adversário e na Dinamarca fez o seu contrário.

Na segunda parte, porém, os dragões subiram o seu rendimento. Jogaram no seu ponto forte – forte reacção à perda e recuperação da bola em zonas altas do terreno – destapando, por conseguinte, o ponto mais trabalhado do adversário.