Reconhecer as fraquezas para vencer. Ser inteligente. É certo que o desfecho do clássico foi altamente injusto, pois o #Sporting foi a melhor equipa em campo. No entanto, a vitória encarnada teve um mérito fundamental: reconhecer a superioridade dos leões. Defender mais baixo, sair em transição violenta. E gerar o desequilíbrio a partir daí.

Benfica

O Benfica de Rui Vitória tem sido sinónimo de mobilidade ofensiva, característica essa que permite aos encarnados desenvencilharem-se com relativa facilidade dos adversários ditos mais pequenos. Esta época, porém, a mobilidade tem sido levada ao extremo da sofreguidão, pelo que contra adversários mais fortes o #Benfica geralmente perde fulgor.

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O jogo contra o Sporting representou a mudança de chip. Pensar o jogo em linhas mais recuadas. E ganhá-lo a partir daí, abraçando a frieza dos números. Vitória injusta também vale três pontos.

Fejsa e Pizzi mais próximos da linha defensiva, para evitar que o Sporting ganhasse superioridade numérica e se gerassem situações de 1x1 junto de Luisão.

Os leões explanaram o seu jogo e até conseguiram mudar o centro da intervenção com relativa facilidade. Mas sempre faltou um pouco de rapidez para despistar o Benfica, que mesmo vendo a bola junto da sua baliza nunca se desconstruiu. É espantoso o jogo de pés de Éderson, de tal forma que a própria estratégia ofensiva dos encarnados se baseia no posicionamento do seu guarda-redes. Todavia, a palavra de ordem foi transição e, se a mobilidade ofensiva dos encarnados é complexa, frente ao Sporting foi simples: Gonçalo Guedes a atacar o espaço pelo meio, com Jiménez e Rafa a penderem para as alas e a gerarem o espaço suficiente para desequilibrar a defesa adversária.

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Rafa foi decisivo na forma como partiu o jogo através da velocidade. Afinal, o clássico estava talhado às suas características.

Sporting

Do lado do Sporting, o rendimento de Bas Dost vai subindo, sobretudo na sua articulação com a linha média. Os leões obrigam o adversário a bater em busca da profundidade e são precisos a jogar em posse e a mudar o centro de jogo.

Frente ao Benfica faltou velocidade. Sem dúvida. Jesus ainda colocou Campbell e André em campo para meter um novo carreto no jogo. Faltava ali uma quinta velocidade. Mas esse não é o principal problema dos leões. Se João Pereira é forte tacticamente mas em termos individuais deixa a desejar, já Schelotto (que comprometeu frente ao Vitória de Guimarães no célebre empate a três) faz exactamente o contrário. A mistura entre ambos resulta na necessidade imperiosa de um novo defesa direito, e não são de estranhar as notícias que dão conta do interesse em João Schmidt (bom jogador, ex- Vitória de Setúbal).

F.C. Porto

No #F.C.Porto, as notícias são boas, mas a prudência ainda é a palavra de ordem.

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A Juventus era, das sete equipas que podiam ter calhado no sorteio da Liga dos Campeões, aquela cujas características melhor assentam no futebol dos dragões. O pentacampeão italiano joga em 3x5x2 mas, à vista desarmada, parece-me algo vulnerável a uma equipa rápida, eficaz na pressão e, sobretudo, que sabe jogar em profundidade.

A vitória frente ao Feirense foi normal e condicionada por uma expulsão logo no início do jogo. Agora, certo é que os desequilíbrios de Brahimi puxam a equipa para zonas de finalização mais adiantadas. Os próximos jogos (Marítimo e D. Chaves) darão as respostas necessárias e a dissipação da grande dúvida: será que temos um F.C. Porto com soluções (jogo interior, laterais e centrais envolvidos) para aniquilar defesas mais compactas e mais recuadas?

Pegando na achega da Liga dos Campeões, o Benfica não teve tanta sorte e, malgrado as deficiências defensivas do Dortmund, parece-me certo que as múltiplas soluções ofensivas dos alemães poderão representar um problema sério. É certo, o F.C. Porto teve um sorteio bem mais favorável!