Tudo está bem quando acaba bem. FC Porto e #Benfica alcançaram os seus objectivos e seguem em frente na Liga dos Campeões. Mas não foram perfeitas as fases de grupos. Houve muita intermitência. A tranquilidade foi atingida em última instância, facilitismo após facilitismo.

E comecemos pelo FC Porto, cujas dúvidas continuam. E os dragões dão-se bem com o espaço concedido pelo adversário, sobretudo quando o mesmo não se reduz a uma defesa muito baixa. Aí o FC Porto, definido esta época não tão em posse mas também em transição, beneficia da liberdade concedida e agiganta-se. Muito. Para o FC Porto, mais espaço é sinónimo de maior rendimento.

O FC Porto fez bons jogos frente a Braga e Leicester porque ambas as equipas têm esse perfil.

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Tal como jogou bem frente ao #Sporting e ao Benfica. Mas as dúvidas continuam frente a equipas com outra face. Em que seja necessário desequilibrar através da mobilidade ofensiva, da subida dos laterais, do início de construção a partir dos centrais. Com Rui Pedro ou menos Rui Pedro, certo é que os desfechos frente a Braga e Leicester foram previsíveis, até pelo facto de os ingleses terem deixado de fora jogadores que seguram uma equipa razoável a partir da dianteira.

Benfica

Curiosamente, o Benfica faz o contrário. Desembaraça-se de equipas tendencialmente defensivas sem grandes dificuldades. Isto porque a sua virtude é o seu ponto fraco: a sofreguidão pelo ataque. A imagem da mão de Lindelof na Turquia (que originou o golo de Quaresma de grande penalidade) é sintomática daquilo que é o Benfica.

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A ganhar por 3-1, com o jogo ganho, mas logo uma mão cheia de jogadores a correrem para o ataque como se o resultado estivesse invertido. Frente ao Nápoles o desafio foi acrescido, sobretudo pelo facto dos italianos terem uma exploração fantástica do jogo interior, algo que não é benéfico para equipas cujo ADN natural seja “atacar, atacar”.

Se as lesões de Eliseu e Grimaldo podem explicar muita coisa (o Benfica explora muito os corredores e precisa de laterais afoitos), há também ali dois casos particulares. Começo por Sálvio: a recuperação do argentino foi inteligente, com o mesmo a assumir-se como elemento preponderante na posse de bola e no arranque para zonas específicas do ataque, desequilibrando as defesas contrárias. Mas já não é o Sálvio de antigamente. E também não é um Sálvio completamente fiável em termos de compensação defensiva. E faz falta ao Benfica um jogador mais disponível para compensar a linha média e impedir o adversário de crescer, sobretudo quando esse adversário (o Nápoles) se agiganta ao nível do jogo interior.

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O segundo caso é o de Luisão. O brasileiro entrou na equipa para estancar o número absurdo de golos que os encarnados sofriam pelo ar, fossem eles explorando as costas dos laterais ou então mesmo na zona central. Há benefícios na entrada de Luisão, mas também há o aspecto contrário. Frente ao Nápoles, tal foi evidente. Os italianos (tal como o Marítimo) procuraram incessantemente situações de confronto directo com Luisão, pois a mobilidade do central brasileiro deixa a desejar, dando assim vantagem a quem ataca. O Benfica não jogou bem frente aos italianos. E nem a dupla Guedes-Jimenez se entendeu a defender a partir da dianteira. Se o Nápoles foi bom a defender, foi ainda maior no meio e foi gigante na frente de ataque. Vitória justa.

Sporting

E o que dizer deste Sporting? Os leões deram uma parte de vantagem a um adversário perfeitamente ao seu alcance. É frustrante ver uma equipa partir da Europa depois de quatro jogos excelentes, um razoável e uma primeira parte fora do contexto daquilo que é o Sporting. Bruno César na direita e Gelson no meio foram corpos estranhos e demasiada alteração numa equipa que em condições normais não perderia o jogo. Penso que a estratégia de Jorge Jesus passou por dar agressividade aos corredores e proteger o meio, arriscando também na utilização de Markovic. O tal que não é o mesmo que jogou de águia ao peito! #F.C.Porto