Porque razão não reconhecem e concretizam, de uma vez por todas, a profissão de policia como uma profissão de risco e desgaste rápido? Esse reconhecimento seria muito importante para que todos os homens e mulheres da #Polícia de Segurança Pública (PSP) sentissem mais a dignidade do seu trabalho e para uma garantia da qualidade do socorro e da própria autoridade do Estado. Os polícias são profissionais que, numa primeira linha de intervenção, entram em campo em qualquer terreno de operações, independentemente das circunstâncias de acção. E os meios ao dispor para eles trabalharem são, quase sempre, escassos.

Todos os homens e mulheres da PSP trabalham por turnos, possuem horários demasiado preenchidos, cobrem as vinte e quatro horas do dia para a nossa segurança, mantendo sempre um grau de constante e exigente de operacionalidade e disponibilidade para o serviço.

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Muitos cidadãos criticam os polícias, chegando mesmo a ofendê-los, mas exigem sempre que estejam disponíveis para avançar para qualquer ocorrência a qualquer hora do dia ou da noite. Quando se encontram em apuros, e ao primeiro sinal de perigo, é dos polícias que se lembram logo. Irónico, não é?

Sempre no limite

Os profissionais da PSP envolvem-se, tanto física como emocionalmente, todos os dias, com os problemas que afligem as pessoas e que caracterizam, muitas vezes, situações limite. Nunca dão tréguas ao crime; fazem sempre frente a situações de grande periculosidade e risco, combatem os crimes mais simples e os mais graves e violentos. Na complexidade e na violência, confrontam-se muitas vezes, sozinhos ou em grupo, defrontando criminosos que nada têm a perder, e não "têm" de cumprir regras.

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É exigida a capacidade e a competência para decidir, em fracções de segundo, sobre a aplicação concreta dos princípios da legalidade, da necessidade, da proporcionalidade e da adequação dos recursos que têm ao seu dispor. Trabalham sempre no limite.

Tantas vezes, nos julgamentos, os polícias são obrigados a dar a cara; vão, vezes sem conta, testemunhar e apresentar a sua versão dos factos, e muitas vezes, mesmo depois de um turno de serviço ou em dias de folga. Muitas vezes estão sozinhos no átrio dos tribunais, ou com os arguidos e seus familiares e amigos.

E depois no dia a dia, no supermercado, no centro de saúde, entre tantos outros locais, muitas vezes encontram-se na fila com os criminosos que prenderam no dia anterior.

Deparam-se diariamente com problemas de insuficiência, seja ao nível da disponibilidade de recursos humanos, quer de meios materiais, tantas vezes inexistentes ou obsoletos, entre os quaisencontram-se edifícios degradados, onde têm que trabalhar e atender os cidadãos.

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Diariamente, os polícias são chamados para enfrentarem problemas tão diversificados quanto difíceis, e muitas das vezes de difícil ou mesmo impossível resolução.

O risco como parte do quotidiano

É de conhecimento geral que muitos são os aspetos do trabalho dos profissionais da PSP, perante os imponderáveis riscos em que, muitas vezes, estão em jogo questões tão importantes como a honra, a determinação, o sacrifício e o próprio medo, principalmente pelo facto de quase todos eles lidarem com situações de perigo.

Enquanto não reconhecerem essa realidade, enquanto não protegerem quem nos protege, e não respeitarem quem nos dá segurança, colocarão em risco toda a nossa sociedade, estarão a tapar o sol com a peneira, a varrerem o lixo para debaixo do tapete e continuarão a insistir em não verem uma realidade que está a vista de todos. Todos os dias os nossos polícias são alvo de ofensas, verbais e físicas, são vítimas de agressões violentas mesmo quando não estão a trabalhar, e até a própria vida perdem no cumprimento do dever.

E tal como os agentes da PSP, estão também os militares da Guarda Nacional Republicana (GNR); todos eles têm uma #profissão de risco e de desgaste rápido, não reconhecida enquanto tal.