Hugo Ernano, militar da Guarda Nacional Republicana (#GNR), já se encontra actualmente no activo e a trabalhar no Grupo de Intervenção e Ordem Pública (GIOP). Mas até chegar ao presente momento ele teve que enfrentar inúmeros obstáculos, e mesmo assim ainda não conseguiu obter a merecida justiça. Foi em Janeiro deste ano que terminou a sua suspensão de 240 dias e Hugo se apresentou ao trabalho.

Como bem se recordam, tudo começou em Agosto de 2008, quando Hugo Ernano, durante uma perseguição policial, baleou mortalmente, de forma acidental, um menor com 13 anos. Menor esse, levado pelo próprio pai para um assalto. A perseguição teve início após o pai do menor não ter obedecido à ordem de paragem dada pelo militar, e de ainda o ter tentado atropelar.

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A Hugo, valeram-lhe os bons reflexos e a agilidade para saltar para cima do capô do carro-patrulha e assim evitar o pior. O referido pai assaltante estava fugido do estabelecimento de Alcoentre há alguns anos e era um evadido à justiça. Em Alcoentre, cumpria pena por assalto e agressão violenta contra pessoas da terceira idade.

Quando em último recurso, Hugo Ernano recorreu ao uso da arma de fogo para tentar imobilizar a carrinha em fuga, começou com tiros de advertência para intimidar e fazer parar o fugitivo, que não se intimidou e prosseguiu a fuga. E prosseguiu mesmo mantendo no interior da viatura o próprio filho, e sabendo de todos os riscos e perigos que ele corria naquele momento, não se importando minimamente com a sua segurança.

O militar atirou para o pneu esquerdo e acertou, mas mesmo assim a viatura em fuga não parou.

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Mas ao atirar para o pneu da direita, devido à irregularidade do piso e aos solavancos, acabou por acertar um pouco acima do pneu, e o projéctil entrou para o interior da viatura e acertou acidentalmente no filho do condutor, acabando mesmo por ser fatal.

Logo depois, a própria GNR iniciou um processo interno de averiguações e Hugo Ernano teve ainda que enfrentar os tribunais. O tribunal de Loures condenou-o a 9 anos de prisão efectiva e ainda a um pagamento de uma indemnização milionária aos pais do menor. Essa condenação em Portugal ficou na história, pois foi a pena mais alta dada a um elemento das Forças de Segurança no nosso país.

A defesa do militar recorreu para o Tribunal de Relação e conseguiu a redução da pena para quatro anos com pena suspensa, e viu ainda a indemnização a pagar ser bastante reduzida. Por a indemnização ter sido reduzida, a acusação recorreu para o Supremo Tribunal de Justiça para conseguir que esta fosse aumentada, pois a condenação do militar já não era o mais importante.

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A decisão do Supremo elevou a indemnização para 55.000 euros. A defesa recorreu ainda para o Tribunal Constitucional, mas este nada fez e manteve tudo igual.

Em simultâneo saía igualmente a condenação da Inspecção Geral da Administração Interna (IGAI). Apesar do IGAI querer mesmo a expulsão do militar, isso não aconteceu, pois a actual ministra do Ministério da Administração Interna (MAI) decidiu intervir e optou pela pena menos gravosa, que era a suspensão do militar durante 240 dias e ainda o corte de dois terços do ordenado. Assim, Hugo Ernano esteve meses a ganhar apenas 16 euros e alguns cêntimos.

Os colegas, familiares, amigos, conhecidos e muitos desconhecidos não se cansaram de o apoiar, e nunca permitiram que ele desistisse. Aquando da condenação no tribunal de Loures, uma página na rede social Facebook foi criada para o apoiar, denominada “Vamos apoiar Hugo Ernano”. Actualmente, a página conta com mais de 147.000 gostos e mais de 141.000 seguidores, números que expressam bem que muitos portugueses apoiam o militar da GNR .

Foram ainda amigos que conseguiram arranjar os 55.000 euros para Hugo poder pagar a indemnização aos pais do menor. Já quando foi para recorrer ao Tribunal de Relação, foram os amigos e colegas que, numa semana, arranjaram os 9.000 euros necessários para o militar pagar o recurso, pois era uma quantia que ele não tinha. #solidariedade e causas #Polícia