Um filme baseado num livro que é baseado na história real de uma criança que se perde do irmão mais velho e é levada por um comboio para longe de casa, passando por peripécias variadas até que é adotada por uma nova família e, mais tarde, começa a querer procurar a família biológica é um filme com tudo para ser mais um filme banal. Garth Davis, o realizador, porém, fez com que assim não fosse. Com a ajuda dos melhores, conseguiu o melhor.

Saroo, de cinco anos, escolhe um comboio para pernoitar, enquanto espera pelo seu irmão, que está a trabalhar algures por ali. Porém, quando acorda já o comboio está em movimento e não há forma de o parar nem de o fazer voltar à estação perto de casa do menino.

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Quando Saroo pisa o chão já se encontra em Calcutá, a mais de 1000 km de casa e onde a vida também não é fácil.

A partir daqui, Saroo está sozinho e embarca numa aventura que de bom pouco augura. O espetador envolver-se-á nesta história, quer queira quer não. O jovem ator que interpreta Saroo na infância vai tocar nas emoções dos mais insensíveis, tanto pela sua doçura e carência como pela perspicácia e inteligência que não demora a revelar. Depois de passar por algumas peripécias - maioritariamente desagradáveis - Saroo é adotado por um casal australiano, que o acolhe com carinho e cuida até à vida adulta.

Porém, o passado não dá tréguas, especialmente o passado de uma criança. Esse vai sempre manifestar-se na vida adulta. Não há forma de lhe escapar. Mais cedo ou mais tarde, o passado faz-se ouvir.

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Nesta história, isso não é diferente. E esta é também uma das mensagens que o filme passa. A ligação permanente que o presente tem com o passado.

Este filme remete-nos também para as realidades do terceiro mundo e para os traumas que a infância pode perpetuar. Cada bocado de história é aqui bem explorado e conquista o telespetador mais desatento. Talvez a parte do romance seja a única não tão explorada. Ainda assim, não há espaço para dúvidas de que este filme é o melhor filme que se poderia fazer com esta história. Também quanto à parte técnica, não há nada a apontar, apenas a aplaudir.

O facto de ser baseado numa história verídica é mais um motivo para que nos sintamos tocados no coração. É, mais do que um filme que nos faz refletir, um filme que nos faz conhecer. Conhecer outras realidades, outras vidas e outras histórias. É um filme para quem gosta de #Cinema, mas, especialmente, para quem gosta do mundo e da vida. #Filmes