Atualmente, grande parte dos #Livros que vemos nas livrarias são sobre grandes figuras da televisão e do futebol, entre outras áreas. A maioria destes livros comerciais são assinados por figuras públicas conhecidas do grande público, que estão num momento de grande fama e têm revelações para fazer ou algo a dizer. Mas quantas vezes nos perguntámos sobre se são mesmo essas celebridades que escrevem realmente esses livros? A verdade é que grande parte dessas obras são escritas por ghost-writers, ou #escritores-fantasma, pessoas que escrevem os livros para que saia bem e a história seja contada com a qualidade e no prazo certo.

E de quem é a culpa?

As editoras querem associar um rosto mediático a um título que venda, e assim todos saem a ganhar.

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E o mais intrigante é que o nome destes escritores-fantasma, às vezes, nem sequer aparece na ficha técnica, para que haja a ilusão da proximidade do leitor com a figura pública e as vendas sejam um êxito. Isto acontece em todo o mundo, mas falando de Portugal, existem vários casos.

A autobiografia “Eu, Carolina”, de Carolina Salgado, editada pela Dom Quixote, em 2006. foi escrita por dois ghost-writers. Nesse livro, Carolina contava os segredos da sua relação com Pinto da Costa, presidente do F.C.P. e pôs a nu os bastidores do futebol português. O livro foi um êxito da editora, vendendo mais de 120 mil exemplares.

Naquela época falou-se que Fernanda Freitas, professora de literatura e amiga de Carolina, a teria ajudado a escrever o livro. Mas na verdade Fernanda escreveu metade do livro, e a verdadeira ghost-writer que escreveu na totalidade com toda a matéria sobre o caso "Apito Dourado" foi a jornalista e cronista Leonor Pinhão, que também é uma conhecida benfiquista e até foi comentadora num programa do canal Q.

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Num testemunho dado ao jornal Expresso, Maria Nobre, com vários livros escritos como ghost, maioritariamente sobre dietas ditadas por nutricionistas, disse que na grande parte dos casos o nome das dietas é inventado pelas editoras. “Disse que quer fossem a dieta 1,2,3 ou ainda a dos trinta e um dias são a réplica de dietas clássicas mas vendidas como novas e exclusivas para chamar os leitores."

Outro caso é o de João George, que é um ghost, e já fez a tradução de livros que aparecem com o nome de outro tradutor. Fez várias revisões de obras, reescreveu livros de outros autores a pedido das editoras e já foi várias vezes contratado para escrever autobiografias de famosos.

Quanto ganha um ghost?

Em média, e de acordo com o Expresso, João George ganha por cada trabalho aproximadamente €3500, mais 1% de royalties. Ainda em declarações ao Expresso, George afirmou, em maio de 2016, estar a preparar-se para escrever mais duas biografias, uma de uma apresentadora de televisão e outra sobre a mulher de um político.

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Alguns casos geram alguma desconfiança

Em Novembro de 2016 surgiram, em revistas de sociedade, algumas notícias, cuja veracidade não foi comprovada, dizendo que Cristina Ferreira não era autora do livro que acabava de ser apresentado. Outro caso foi o de José Rodrigues dos Santos, quando algumas revistas e jornais também revelaram alguma desconfiança em relação à autoria das suas obras literárias. Todavia, nunca nada se confirmou.

O que fazer?

Todo o trabalho feito por estes autores-fantasma, quando serve para dar mais atenção a histórias pouco conhecidas do grande público de pessoas que tiveram testemunhos de vida interessantes, é bem-vindo. No entanto, não pode ser feito quase "ilegalmente", ás escondidas, pois aqueles escritores que são realmente bons a escrever não terão espaço de mercado para os seus livros; muitos deles acabam por se tornar escritores-fantasma, o que pode ser bom para eles e para as editoras economicamente, mas não tão benéfico para o seu reconhecimento público enquanto escritores. #ghost writers