Quando, a 11 de outubro de 2016, Pedro João Dias alegadamente baleou dois militares da Guarda Nacional Republicana (GNR), não terá sido a primeira vez que atirou contra elementos dessa instituição. Em 2011, na cidade de Leiria, foi identificado por alguém como sendo o principal suspeito do assalto a um armazém de ração para gado.

A testemunha logo alertou a GNR. Quando os militares da GNR chegaram ao local do assalto em Leiria foram recebidos com 8 tiros, mas o suspeito acabou por fugir numa carrinha. Os invólucros dos projécteis atirados contra os militares foram recolhidos nessa altura e arquivados na própria base de dados da #Polícia científica da Polícia Judiciária (PJ).

Publicidade
Publicidade

Essa testemunha, ao prestar o seu depoimento, descreveu Pedro Dias como sendo um homem alto e possante. Mais tarde, no entanto, o caso veio a ser arquivado por falta de provas.

Um ano depois, em 2012, Pedro Dias terá voltado a praticar mais actos ilícitos; desta vez terá roubado duas matrículas em São Pedro do Sul, usando-as posteriormente nas suas próprias viaturas. As mesmas foram encontradas três anos depois, numa das quintas de que era proprietário. Ainda no mesmo ano, no Alentejo, foi também suspeito de ter alegadamente roubado diversas antiguidades de uma quinta, nomeadamente algumas peças de louça Companhia das Índias, pratas antigas e até uma tela.

Tal como o Correio da Manhã avançou na sua edição de hoje (4 de Janeiro), as autoridades acreditam agora que, naquele dia em #Aguiar da Beira, Pedro Dias queria matar os militares; desejaria a todo o custo encobrir os seus crimes anteriores e também manter encoberto o facto de a sua arma já ter atirado contra militares há uns anos.

Publicidade

Mas terá deixado testemunhas e pistas. Foi encontrado o projéctil que matou o militar Carlos Caetano. Após a analise balística do mesmo, chegaram à conclusão de que era igual às balas que tinham sido disparadas contra os elementos da GNR no assalto de 2011. Facto esse que permitiu a reabertura do processo de Leiria e que pode levar o suspeito a ser também acusado de tentativa de homicídio dos agentes da autoridade que o tentaram deter durante esse assalto.

O arguido esteve fugido quase durante um mês, mas durante esse tempo escreveu e enviou algumas cartas para a própria família, em que assumia que era o autor do #Crime. Cartas que deixou para trás e que entretanto a PJ já descobriu e anexou ao processo de Aguiar da Beira. Folhas em branco contendo apenas a assinatura do próprio, para provavelmente resguardar transferências de dinheiro ou de alguns bens, foram igualmente encontradas pela PJ.

Durante a fuga manteve sempre contacto com familiares, especialmente com a irmã e uma amiga, que o alojou em sua casa, pouco antes de ele se entregar às autoridades em Arouca, sob os holofotes da RTP, e sempre acompanhado por três advogados e um jornalista de um diário de Coimbra.

Publicidade

Pouco antes de se entregar, concedeu uma breve entrevista à RTP, em que apelidou os militares da GNR que alegadamente tinha baleado como sendo simpáticos. Disse que apenas tinham encontrado na carrinha bidões com gasóleo furtado, mas que nem sequer o tinham autuado.

Este mês começa a ser julgado no Tribunal de São Pedro do Sul pelo crime de furto. E o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa resolveu também reabrir a investigação ao roubo das antiguidades em 2012 no Alentejo.

Actualmente continua a cumprir a medida de coacção mais gravosa, a prisão preventiva. Encontra-se detido na cadeia de Monsanto, uma cadeia de alta segurança.