Nos últimos dias, um tema muito polémico e bastante delicado tem sido muito divulgado pelos diversos orgãos da comunicação social: o suicídio dos polícias. Um recente estudo efectuado por especialistas da área concluiu que os agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) e militares da Guarda Nacional Republicana (GNR) se suicidam, na maior parte dos casos, devido a problemas pessoais e, para grande surpresa, devido ao consumo de bebidas alcoólicas. A bebida pode até ser responsável de muita coisa, mas de suicídio? Um pouco improvável.

Falam em reforçar a presença dos psicólogos nessas mesmas instituições policiais, para assim prevenirem e ajudarem a combater esse flagelo, que infelizmente nos dois últimos anos provocou várias vitimas.

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Pois somente no ano de 2015, oito agentes da PSP e sete da GNR colocaram termo à própria vida. Mas uma coisa é certa, não serão os psicólogos que irão resolver os problemas adjacentes aos suicídios nas forças de segurança. Um melhor acompanhamento dos psicólogos aos efectivos das forças de segurança poderá, de certo modo, ajudá-los de forma eficiente nos casos de depressões existentes. Porque todos sabemos que realmente as depressões podem matar e matam mesmo, é imperativo que os polícias nessas situações peçam ajuda, e não se sintam mais fracos e covardes por isso. Pelo contrário, com essa atitude, revelam apenas coragem e determinação em resolver os problemas.

Uma das medidas que se toma relativamente a todos os polícias que se encontram psicologicamente perturbados e com ideação suicida é retirar-lhes a arma de serviço.

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Por um lado, isso é correcto e lógico, pois muitos dos suicídios são feitos com as armas de serviço. Mas por outro lado, ao deixarem de ter funções operacionais, os polícias perdem igualmente direito a vários subsídios e têm uma quebra no seu salário. Factos esses que podem ainda confundir mais as mentes dos potenciais suicídas, deixá-los mais afectados e levá-los ao limite.

Uma ideia que existe no interior das próprias forças de segurança é que os polícias são fortes e não têm problemas e nem preocupações, fazendo com que agentes da PSP e da GNR, quando estão a atravessar problemas graves como depressões, dívidas ou conflitos familiares, não peçam ajuda. Como têm acesso a armas, alguns põem termo à vida sem nunca terem dado sinais de alerta ou recebido apoio psicológico.

Todos os polícias sofrem um enorme stress profissional diariamente, quer seja pelas circunstâncias durante o exercício profissional, quer seja mesmo pelos próprios colegas e até superiores hierárquicos. Eles lidam muitas vezes com situações de extrema violência e tensão, que os obriga a ter sangue frio para actuar e decidir.

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Mas mais tarde eles acabam por sofrer por isso mesmo, porque a memória grava tudo e determinadas situações nunca serão esquecidas, podendo mesmo, a médio ou longo prazo, provocar nos polícias o chamado stress pós -traumático.

A família, como sabemos, tem uma enorme importância na vida de cada um de nós, sendo a nossa base de sustentação nos bons e maus momentos, e na vida dos polícias também. Eles também têm família, e é disso que frequentemente muita gente esquece. E como tantas vezes eles são colocados a quilómetros de distância para trabalhar, afastados da família e dos amigos de sempre, a base de sustentação deles é abalada e pode causar estragos, que por vezes, sem o apoio necessário, podem mesmo serem irreversíveis e fatais.

O facto de trabalharem por turnos, fazerem turnos seguidos, irem para gratificados para ganharem um pouco mais, também os torna mais cansados, mais agastados e mais vulneráveis. E muitas vezes fazem detenções durante o turno da noite, e depois são obrigados a seguirem pela manhã, para fazerem os depoimentos nos tribunais. E para quê? Para os tribunais libertarem os que eles detiveram muitas vezes correndo risco de vida. #suicidio #psp e gnr #forçasdesegurança