Tudo indica que foi entre 31 de março e 3 de abril que foram nomeadas várias novas chefias para a Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), entre elas para comandantes distritais e segundos comandantes. No total, foram 30 os nomeados pelo Ministério da Administração Interna (MAI), 74 dias antes da tragédia de #pedrogão grande. E logo na primeira grande missão que tiveram pela frente, não responderam da melhor forma. O extenso incêndio que afectou Pedrógão Grande foi uma enorme tragédia que acabou por tirar 64 vidas humanas e fazer mais de 200 feridos, encontrando-se ainda alguns deles em estado crítico.

Ao que parece, já é quase certo terem existido falhas na coordenação entre as diversas unidades envolvidas: bombeiros, Protecção Civil, forças de segurança e INEM.

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Mas não foi apenas a coordenação que falhou... também o Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) falhou, e de que maneira. Alegadamente ficou mesmo 14 horas inoperacional, segundo o que já informaram vários órgãos de comunicação social. Entretanto, o próprio MAI já confirmou que foram reportadas dificuldades no uso do SIRESP durante o trágico incêndio de Pedrógão Grande.

Já foi várias vezes perguntado à ministra do MAI se ela se demitia, mas ela sempre respondeu que se se demitisse estaria a escolher o caminho mais fácil, por isso, enquanto o primeiro-ministro tivesse confiança nela, não iria embora.

Mas ela enganou-se, pois na verdade escolheu o caminho mais fácil ao afirmar publicamente que estava perplexa com a forma de agir dos militares da Guarda Nacional Republicana (GNR), quando deram indicação para as pessoas seguirem pela nacional 236.

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Colocou em causa o trabalho dos militares. Eles terão feito o melhor que puderam, e obviamente fizeram-no segundo ordens superiores. Será que ela sabia que, naquele momento, apenas existiam dois militares da GNR no terreno em serviço? E que um terceiro elemento da GNR tinha ficado sozinho no posto para o atendimento ao público? Podemos ler isso mesmo num dos últimos boletins informativos da SIC.

E alguns dos militares que estiveram no terreno a ajudarem na operação de combate ao fogo em Pedrógão Grande, encontram-se actualmente de baixa psicológica, pois estão de igual forma traumatizados. Certamente não é fácil para eles, e nem para ninguém, recordar tudo aquilo que viveram. Não vai ser fácil voltarem à normalidade depois de tudo o que aconteceu. E terem a entidade que os tutela a colocar em causa o seu profissionalismo e quase que a culpá-los do acontecido, agrava mais ainda o problema dos mesmos.

E é mesmo a própria Associação dos Profissionais da Guarda (APG) que afirma que os verdadeiros culpados foram mesmo a escassez de efectivos da GNR e a falha no SIRESP, uma vez que o trânsito não foi desviado nem cortado na estrada nacional 236 pela não existência de informações.

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Também os bombeiros acabaram por ser afectados pelas falhas do SIRESP, uma vez que as comunicações não eram realizadas nas melhores condições.

O inquérito põe em causa a GNR

A ministra do MAI, ao exigir a abertura de um inquérito, alegadamente está a depositar responsabilidades aos militares da GNR que estavam de serviço naquele local e que não procederam ao encerramento da estrada Nacional 236. Ela afirmou publicamente para os órgãos da comunicação social que estava perplexa com o modo de agir dos guardas em questão, mas em contrapartida, não foi tão célere a afirmar a sua perplexidade com as falhas do SIRESP e com a descoordenação de toda a operação. O SIRESP custou vários milhões, mas quando ele realmente foi mais preciso, pura e simplesmente falhou e revelou ser um fracasso. #incendios #sociedade