Hugo Ernano é um militar da Guarda Nacional Republicana (GNR) que se encontra no posto da Pontinha, ao serviço no Grupo de Intervenção da Ordem Pública (GIOP) desde o dia 22 de Dezembro de 2016. Já se passaram 9 anos sobre o incidente que modificou a vida deste militar da GNR para sempre.

A perseguição policial fatal

Foi a 11 de Agosto de 2008 que, após um assalto a uma vacaria em Santo Antão do Tojal, em Loures, e durante uma perseguição policial, quando tentava imobilizar a carrinha Ford Transit em fuga, Hugo Ernano disparou e atingiu mortalmente um menor de 13 anos de etnia cigana, que inexplicavelmente viajava no interior da mesma.

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O menor tinha sido levado para o assalto pelo próprio pai.

A perseguição policial teve o seu início logo após o condutor da carrinha ter desrespeitado uma ordem de paragem do militar e de ainda ter tentado atropelar o agente de autoridade.

Os recursos às várias instâncias

Somente em 2013 o militar da GNR seria severamente condenado pelo tribunal de Loures a nove anos de prisão efectiva. Aliás, essa condenação ficaria na história, pois foi a pena mais pesada decretada em Portugal a um elemento das forças de segurança. Mas após recurso, o Tribunal da Relação de Lisboa reduziu a pena para quatro anos com pena suspensa e diminuiu o valor da indemnização. Posteriormente a acusação apresentou recurso ao Supremo Tribunal de Justiça, que manteve a pena mas fixou a indemnização a pagar aos pais do menor em 55 mil euros (44 mil à mãe e 11 mil ao pai).

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Em última instância, a defesa recorreu ao Tribunal Constitucional, mas nada se alterou.

A condenação da ministra do MAI

Além de ter enfrentado a justiça nas barras dos tribunais, enfrentou ainda a justiça no interior da própria GNR. Em Abril de 2016, acabou punido pela própria Ministra da Administração Interna, que decidiu pela punição menos gravosa: suspensão de 8 meses com corte de dois terços do vencimento.

Solidariedade para ajudar Hugo Ernano

Hugo Ernano, que na altura tinha mulher e dois filhos, um deles menor, passou meses em que recebia apenas 16,38 euros. Mas, na altura, a solidariedade, a ajuda e o apoio de amigos e até de desconhecidos, que recebeu através de uma página de apoio ao militar criada no Facebook (Vamos apoiar Hugo Ernano), e de uma conta solidária criada por familiares e amigos, também foram de uma grande ajuda.

Os 55 mil euros que Hugo não tinha, e de que precisava para pagar a indemnização aos pais do menor, foi conseguida em pouco tempo através de angariações de fundos num grupo de familiares e amigos.

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Dessa forma, foi possível entregar essa mesma quantia aos pais da vítima na data prevista pelo tribunal. Hugo Ernano acabou por pagar também todas as custas judiciais, ficando assim livre de tudo.

Em 2015, foi publicado em livro a história de Hugo Ernano, sob o nome de "Bala Perdida". Nesse livro, tudo está descrito de forma sucinta e clara, permitindo aos leitores desfazer todas as dúvidas sobre o caso. Todo o dinheiro referente aos direitos de autor, reverteram totalmente para o militar, no sentido de o ajudar a pagar as custas dos tribunais.

A justiça condenou mas os portugueses apoiaram e defenderam

A justiça portuguesa condenou o militar que agiu por estar convicto de que era o necessário naquele momento para cumprir o seu dever de garantir a segurança das pessoas. Mas os portugueses nunca o condenaram, muito pelo contrário, sempre o apoiaram e defenderam.

Mesmo com todas estas adversidades, Hugo Ernano nunca equacionou abandonar a GNR, uma vez que ser agente da autoridade era o seu sonho desde a juventude. Por isso mesmo, o facto da sua carreira ter ficado prejudicada deixou-o triste, pois por esta altura já poderia ser guarda principal e no próximo ano cabo, mas infelizmente para ele não será assim.

Mas tal como a fénix renascida das cinzas, também Hugo Ernano renasceu mais forte e mais determinado que nunca. E porque tudo aquilo que não nos mata, apenas nos torna mais fortes. #militardaGNR #HugoErnano #Polícia