Houve um tempo em que as teorias da conspiração vinham sobretudo da esquerda: aquelas ideias de que o Bilderberg, a Trilateral, o FMI e o Banco Mundial dominam o mundo a seu bel-prazer. Hoje, tudo isso contagiou a extrema-direita para criar aquilo a que se chama o populismo. Pega-se nas opiniões de especialistas em extra-terrestres e ovnis sobre política e assume-se que são verdade; ouve-se com atenção tudo o que diz a Wikileaks e esquece-se aquilo que a Wikileaks nunca diz, nem fala, nem sabe; e, acima de tudo, partilha-se tudo aquilo que vai remotamente ao encontro daquilo que já achamos, fechando os olhos a tudo o que seja contrário. Vai-se ao ponto de atribuir a #Donald Trump triunfos que não são dele, como é o caso da normal actividade de perseguição ao crime organizado internacional do FBI.

Publicidade
Publicidade

Nem vale a pena falar de Charlottesville, pois quando um patriota lança um carro contra manifestantes, isso não é terrorismo; foi ele que foi provocado pelo PC (o Politicamente Correcto, não o Partido Comunista nem o Personal Computer) e pelas ameaças dos esquerdistas. Engraçado; é exactamente o mesmo argumento apresentado pelo Estado Islâmico: "os culpados são eles que nos ofenderam e atacaram, etc."

A conspiração contra Trump

Fala-se que há uma conspiração contra Donald Trump, o presidente norte-americano democraticamente eleito. Há de facto uma enorme conspiração contra Trump: dezenas ou centenas de websites americanos avançam com teorias sobre a possibilidade de um impeachment e têm sonhado com isso. Contudo, tais hipóteses são remotas, ou, como eles dizem, "wishful thinking".

Publicidade

A popularidade de Trump é certamente a mais baixa de sempre, mas isso só reflecte aquilo que as sondagens pré-eleições já diziam - uma vez que a maioria da população americana votou contra Trump e está contra ele, mas o sistema eleitoral, vigente desde a criação do país, favorece os estados com menos população. A América está tão dividida como estava em 2016 e um impeachment de Trump nunca seria bem aceite, porque entre os seus partidários ele continua tão popular como em 2016. É cedo para perceber que Trump não traz um milagre económico na manga.

Guerra ideológica

Ainda que a administração Trump e a administração Putin já tenham dado provas de não estarem tão alinhadas como seria de supôr, os seus pressupostos ideológicos continuam a ser os mesmos, e isso basta para que o "globalismo", como eles lhe chamam, se sinta ameaçado. George Soros já tinha anunciado em 2015 que a Europa estava a sofrer um forte ataque ideológico por parte da Rússia. Basta ver o RT durante 2 ou 3 minutos para perceber isso; na cobertura das eleições francesas, o RT dava-se ao trabalho de colocar Marine Le Pen com uma imagem sorridente e Macron com um rosto carrancudo e agressivo.

Publicidade

Basta também perceber como cidadãos anónimos portugueses, equilibrados e respeitáveis, a qualquer momento partilham "notícias" do InfoWars, um site cujo director disse em tribunal que a sua atuação é uma "performance".

O leitor nunca viu o RT, nem sabe muito bem o que é? Tudo bem - pode crer que eles vêem.

Pois é, George Soros é um dos principais alvos da propaganda populista. É natural, pois ele tem sido um dos principais financiadores de atividades e movimentos a favor dos valores globalistas, a morder os calcanhares à Rússia, à extrema-direita e à extrema-esquerda. Não se preocupem, que atrás do Soros outros virão. #Política Internacional #EUA