Tendo em conta tudo o que se tem passado nos últimos tempos relacionado com as forças policiais, a escolha de ser agente da Polícia de Segurança Pública (PSP) ou militar da Guarda Nacional Republicana (GNR) tem que resultar mesmo da existência de vocação, ou então será demasiado fácil perder a paixão pela profissão. Profissão essa que exige disponibilidade permanente, sendo que esse factor obviamente acaba por estar na origem de muitos conflitos familiares e consequentes rupturas e divórcios. Hoje em dia, quando um agente da PSP ou um militar da GNR termina o seu turno de serviço, chega a casa e finalmente tira a farda, é sem dúvida alguma um peso enorme que lhe sai de cima.

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E mesmo em casa, muitas vezes, tudo o que aconteceu no trabalho é recordado vezes sem conta na sua mente e não é esquecido.

É do conhecimento de todos que ser um agente da autoridade é decididamente ter uma profissão de risco. Acontecem quase todos os dias casos em que os agentes de autoridades são ameaçados e agredidos violentamente, verbal e fisicamente. Tanto a PSP como a GNR já perderam vários elementos no cumprimento do dever, homens que deram a própria vida para salvar outras vidas e em nome da segurança pública. E até mesmo os familiares dos polícias correm muitas vezes risco de serem ofendidos, ameaçados e agredidos.

Além disso, todos os agentes da PSP e militares da GNR possuem uma carreira muito mal paga, trabalham muitas vezes com falta de meios, correm enormes riscos e vivem o dia a dia das suas vidas com algumas polémicas associadas.

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Como actualmente aqueles 18 agentes da PSP da Esquadra de Alfragide que se encontram agora acusados pelo Ministério Público por violência policial e racismo por causa de um caso que aconteceu na Cova da Moura, após uma viatura policial que apenas patrulhava a zona ter sido apedrejada.

E se, por exemplo, um polícia, numa saída de emergência, tem o azar de sofrer algum tipo de acidente? É quase inevitável que venha a ter um processo disciplinar com a respectiva aplicação de dias de multa, visto muitas vezes não existir um seguro de frota para as viaturas da PSP. E mesmo que a penalização fique suspensa, o currículo desse agente já ficará manchado, o que numa futura promoção poderá ser uma dificuldade acrescida a ultrapassar. Sendo que essas promoções já possuem obstáculos suficientes com o congelamento de salários.

Quando acaba o curso e sai aprovado da Escola Prática de Polícia (EPP), o novo agente da PSP, no início da sua vida profissional, recebe de imediato uma pistola Glock com aproximadamente 26 munições e um carregador suplente, tal como a Visão revelou numa das suas reportagens.

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Mas a experiência tão necessária e útil para o desempenho da sua profissão vai adquiri-la com o tempo, no seu dia a dia e com os ensinamentos dos mais experientes. E se o novo agente da PSP for curioso o suficiente acabará por descobrir que três dezenas de colegas já foram mortos em serviço nos últimos 20 anos.

Todos eles, independentemente serem da PSP ou da GNR, precisam sempre estar preparados para cumprir com todo o profissionalismo o objectivo de qualquer missão e, obviamente, é inevitável nessas alturas que todos eles passem a vida pessoal para segundo plano. Quantas vezes, e quase sempre no turno da noite, se eles tiverem de efectuar uma detenção a poucos minutos do término do seu turno, já não poderão ir embora, pois terão que ir a tribunal resolver todas as burocracias da detenção e prestar os respectivos depoimentos pela manhã dentro e, por vezes, até durante a tarde. E para quê? Para muitas vezes os detidos saírem mesmo antes dos agentes de autoridade terminarem todas as burocracias. E tudo isso depois de uma noite atrás de assaltantes, de agressores, de violadores, de homicidas, enfim de toda a espécie de criminosos. E muitas vezes sem tempo de nem sequer tomarem um café. Estes homens decididamente vivem no limite, saem de casa mas não sabem se voltam a entrar. Sabem que começam bem um turno, mas desconhecem como o acabam. #agentedaPSP #militardaGNR #agentesdaautoridade