Mesmo que no dia anterior tenham estado a trabalhar até altas horas da madrugada, se estiverem escalados, eles acordarão novamente para enfrentar mais um dia no combate ao crime e continuarem uma luta sem tréguas aos criminosos. Antes de saírem de casa, eles dão um beijo, abraçam e olham para aqueles que amam uma última vez, pois desconhecem se regressarão a casa ou os voltarão a ver. Eles são cidadãos como nós, eles cumprem as leis, são ordeiros e, se forem apanhados em alguma infracção ou mesmo delito, com toda a certeza, são muito mais crucificados que qualquer outro cidadão pela justiça.

Eles usam uma farda, ostentam no peito um crachá do qual se orgulham, não criam leis mas tudo fazem para que as mesmas sejam cumpridas, repõem e mantêm a ordem, e fazem parte de duas grandes instituições policiais portuguesas: Polícia de Segurança Pública (#PSP) e Guarda Nacional Republicana (#GNR).

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Quando entram nas esquadras da PSP ou nos postos da GNR, todos eles assumem definitivamente o lado profissional. E sabemos que, tantas vezes, os agentes da PSP e os militares da GNR, tal como todos nós, vivem vários problemas pessoais, mas que, de uma forma quase sobre-humana, conseguem deixar a sua vida pessoal em segundo plano, para se dedicarem de corpo e alma a proteger pessoas e bens, mesmo que com o sacrifício da própria vida se preciso for.

Eles são humanos e não são "robocops". Mas, na maior parte das vezes, são mesmo obrigados a agir como se fossem. Não são feitos de aço, mas por vezes parece. No cumprimento do dever, deixam as emoções para segundo plano. Todos eles são treinados e preparados para valorizarem a razão, a intuição, a serenidade e o sangue frio. E podem ter a certeza que essa mesma razão, serenidade e sangue frio, em momentos mais complexos e perigosos, fazem toda a diferença para eles.

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As emoções são necessárias, e sem elas não conseguimos viver, mas para eles, para os polícias no cumprimento do dever, poderiam torná-los mais vulneráveis e frágeis, e colocariam em risco as operações que tivessem em curso. O facto de os vermos muitas vezes sisudos, com aquele ar de durões e frios, e até mesmo aparentemente sem emoções, não significa absolutamente nada.

Sabem que quando eles encontram uma criança morta são os primeiros a deixar cair uma lágrima? Que quando encontram uma rapariga violada sentem-se revoltados e pensam logo que poderia ser alguém da família deles? Que quando encontram alguém que se suicidou, ou foi morta, o coração deles fica apertado? Que quando chegam a um local de crime para levantarem mais um cadáver, eles também sentem tristeza? Pois é, os polícias não são isentos de emoções, mas aprenderam a disfarçá-las e a escondê-las dentro do coração.

E por esconderem assim tão bem as próprias emoções, é que algumas vezes acabam por entrar em depressões graves, sem serem notados, e que infelizmente terminam em suicídios. #policias