No último sábado (21 de Outubro) mais um militar da Guarda Nacional Republicana (#GNR) colocou, alegadamente, termo à sua própria vida, recorrendo à arma de serviço, no interior das instalações do posto onde prestava serviço. Chamava-se João Coelho, tinha 30 anos, era casado, pai duma menina de 3 anos, e prestava serviço no posto de Fânzeres em Gondomar. O militar foi prontamente socorrido pelos bombeiros de São Pedro da Cova, mas devido aos graves ferimentos que apresentava, acabou por ser transportado para o Hospital de Santo António, no Porto, em estado crítico, tendo posteriormente falecido já no hospital. O motivo que terá levado ao alegado suicídio ainda não é conhecido, pelo que o caso se encontra em investigação e as circunstâncias estão ainda em fase de apuração.

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Este caso só veio, mais uma vez, recordar que os suicídios nos agentes das Forças de Segurança continuam a suceder e ainda nada foi feito de concreto para minimizar ou acabar com todos os potenciais riscos que podem levar estes profissionais a colocar termo à vida. Existem vários riscos inerentes à própria profissão dos agentes das forças de segurança. O risco e perigo acompanham-nos 24 horas por dia, durante os 7 dias da semana e 365 dias do ano. Mas outros motivos podem igualmente ser factores de risco, levando a depressões graves que podem eventualmente acabar em suicídios se não forem devidamente acompanhadas.

Quando, por exemplo, um agente da Polícia da Segurança Pública (PSP) ou um militar da GNR sai de missão com sucesso, os respectivos superiores acabam por ser os laureados por esse sucesso, mas quando as coisas não correm tão bem como o esperado (porque nem sempre corre tudo bem), a culpa cai sobre os agentes e militares.

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Tudo isso pode servir para que eles se sintam incapazes e fiquem fragilizados, podendo abalar toda a sua estrutura. Como se isso não fosse o suficiente, também todos os apoios a que tinham direito para minimizar os baixos vencimentos foram retirados, tornando difícil muitas vezes fazer face às despesas familiares. Somado a tudo isto, estes profissionais são muitas vezes vítimas de calúnias, insultos e até de abandono, por muitos que, por desejarem mais segurança, criticam todos o que exercem a sua profissão com dignidade

O facto de tantas vezes serem julgados pela própria população que eles um dia juraram proteger e defender com a própria vida se preciso fosse, também contribui em muito para o aumento da pressão e stress. Quantas vezes eles tão depressa são considerados heróis como vilões?

Se alguém está em apuros, grita pela polícia e é logo ajudado e salvo, sendo aquele polícia um herói. Mas quando se trata de intervenções policiais, que até nem dizem respeito a certas pessoas, são essas mesmas pessoa as primeiras a atacar os polícias, mesmo sem saberem ou terem testemunhado os factos.

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Tantas vezes a sociedade condena a polícia por tudo e por nada. Se fazem detenções é porque as fazem, se não fazem é porque não as fazem...

E se no cumprimento do dever ou mesmo fora dele, porventura, caírem na mão da justiça, eles são aqueles com os quais a justiça é mais dura e menos benevolente. Quando um agente leva um detido por ele a tribunal, é mais massacrado pelo juiz ele do que o próprio suspeito.

No meio de tantas pressões e de tanto stress, se uma pessoa não estiver num estado psicológico de grande resistência, claro que não aguenta. Por isso mesmo, que não haja dúvidas nenhumas que somente numa sociedade mais civilizada e mais justa, a onda de suicídios nas forças de segurança poderá diminuir ou mesmo terminar. #forçasdesegurança #suicidios