Em 2 de Julho um jornal espanhol publicava a lista do armamento que, em 27 de Junho, desapareceu dos paióis de Tancos. Os portugueses ficaram então com a ideia de um assalto. Mas, segundo Vasco Lourenço tratou-se de uma encenação, segundo disse ao Jornal Económico.

É que para ser assaltado, era preciso que o dito material roubado estivesse nos paióis de Tancos ou, pelo menos, lá tivesse entrado, ou reposto depois dos exercícios militares. Essa foi a tese da Associação 25 de Abril. Uma semana depois da noticia que espantou Portugal, a 6 de Julho, Vasco Lourenço envia uma análise aos membros desta associação e refere que é "uma história muito mal contada" porque, sustenta o 'capitão de Abril': “o presumível buraco na rede de protecção não passa disso mesmo, um simples buraco, e não convence ninguém de que não foi posto apenas para disfarçar”.

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Impopularmente, o ministro da Defesa parece ter-se apoiado na mesma teoria. Azeredo Lopes nunca confirmou publicamente que houve roubo ou furto. A 10 de Setembro, Azeredo Lopes opinou que “pode não ter havido furto nenhum”, numa entrevista ao Diário de Notícias e à TSF. “Não existe prova visual, nem testemunhal, nem confissão”, sustentando assim a tese inexistência de roubo ou violação das instalações.

Em que ponto estamos?

Passaram mais de três meses. E que sabem os contribuintes portugueses acerca de Tancos?

Sabem que os paióis de um exército com séculos de existência, num país com mais de 800 anos de soberania, afinal seria vulnerável a um punhado de criminosos poderia facilmente invadir instalações, altamente militarizadas, para roubar material militar ofensivamente perigoso. Também ficaram a saber que tais instalações eram negligentemente tratadas e vigiadas.

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Sabem ainda que foram "roubados":

  • 1500 Munições de 9mm,
  • Acima de 100 granadas de mão de diversas aplicações
  • 44 Granadas-foguete-anti-tanque de 66mm,
  • Várias cargas explosivas de plástico de elevada potência.

Tudo isto, "senão dá para começar uma revolução, dá para, pelo menos, para fazer vários e graves atentados terroristas", como comentou na SIC o popular Hernâni Carvalho. Note-se que, como lembrou o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), Pina Monteiro, o valor de mercado deste armamento rondará os 32 mil euros, mas no mercado negro o valor torna-se incalculável.

Mas porque foi um jornal vizinho, o El Español online, a noticiar o ocorrido? E como souberam os espanhóis primeiro? Que tempo teríamos de esperar pelos média portugueses para sabermos da realidade?

As conclusões recentes

Recentemente, o Expresso anunciou que tinha tido acesso a um documento oficial de serviços militares que concluíam que tal material que tal armamento destinava-se, cita-se, a 3 potenciais objectivos:

  • Tráfico de armamento para África (especificamente, para a Guiné-Bissau e Cabo Verde)
  • Um assalto promovido por mercenários portugueses contratados
  • Envolvimento de jihadistas a operar na Península Ibérica

O documento é pouco objectivo porque, por exemplo, quando se menciona "assalto de mercenários portugueses", esta teria sido a autoria e não o objectivo do roubo.

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Não espanta. É que tal documento não tem nada de oficial. O facto é que embora os portugueses não se tenham esquecido do episódio, o mistério não foi resolvido e parece apenas servir para acender as faúlhas politicas. Entretanto o Presidente da Republica, Marcelo rebelo de Sousa, tem mantido uma posição serena e não tem pressionado nem o governo nem os militares.

Observando todos os factos aqui narrados e que se conhecem publicamente, tudo leva a crer que se trata de uma agenda mais ou menos velada, e provavelmente politicamente aceite, embora ilegítima, para obrigar os partidos e o parlamento a aprovarem o reforço do orçamento de Estado para as Forças Armadas e para o Exercito em particular. É sempre para isto que servem estes episódios misteriosos e obscuros. Em que os media portugueses participam. Neste caso, senão fossem os jornais espanhóis muito provavelmente ainda hoje não conheceríamos a realidade do país em que vivemos. #Terrorismo #Crime