Numa altura em que Portugal recebe a #Web Summit, onde até Stephen Hawking avisou que a #inteligência artificial vai substituir os humanos, pergunto-me até onde irá essa 'substituição' e o que será essa nova 'espécie' no mundo das Artes. No início, a ideia era que o robot fizesse as tarefas que nós queremos deixar de lado, ou que a nossa constituição física não nos permite fazer. Quem trabalha em áreas ligadas à criatividade sempre acreditou que nunca na vida os computadores os iriam substituir. Mas… agora, ainda pensa o mesmo??

Até aqui o computador até nos tem ajudado, seja no campo do desenho e da imagem, com programas como o Painter, o Photoshop, o CorelDraw…; na música até dá uma ajudinha, até a quem não canta mesmo nada… mas, será capaz de 'criar' mesmo arte?

Oscar Wilde defendia que a Arte começa onde a imitação acaba; Leonardo Da Vinci que a Arte diz o indizível, exprime o inexprimível e traduz o intraduzível.

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Descartes, Newton, e muitos outros, contrapõem-na à ciência, e até Platão define: "Vou supor que coisas que são feitas pela natureza são obras de arte divina, e coisas que são feitas pelo ser humano são obras de arte humana."

E coisas feitas por uma IA?

O computador, que representa o pináculo do pensamento lógico e matemático, incorporado numa máquina, poderá um dia ter esta percepção?

Infelizmente a Arte tem-se afastado cada vez mais dos sentimentos e aproxima-se, a passos largos, da actividade científica, que tanto sucesso tem alcançado este século. Aliás, parece que hoje em dia só damos importância à ciência, e é essa a educação que transmitimos aos nossos filhos, quase esquecendo a 'intuição', a criatividade.

Poderá um robot um dia pintar uma aguarela? Conseguir aquela transição entre duas cores, que pintamos no papel a uma certa distância, e passamos depois o pincel entre ambas, umas poucas de vezes, até conseguirmos aquele ‘degradé’ desejado? Conseguirá dar aquele 'golpe' de pulso, a última pincelada, que faz a diferença entre uma tela comum e uma verdadeira obra de arte?

Porque será que não consigo imaginar-me a entrar numa escola de pintura e encontrar um robot, em vez de um professor, humano, de sorriso simpático e com os dedos cheios de tinta?

E o que poderemos dizer no campo da música?

Pesquisadores da Nova Zelândia conseguiram recuperar a primeira gravação de música feita por computador.

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As três melodias datavam de 1951 e foram ‘tocadas’ por uma máquina, construída por Alan Turing, um cientista desta matéria, que defendia que os computadores podiam fazer tudo, inclusive música.

Mas um robot poderá um dia sentar-se ao piano como um Franz Liszt? Tocar guitarra como um Jimi Hendrix? Stradivarius como Vengerov?

E cantar? Poderá uma #IA cantar como um Freddie Mercury? Representar? Dançar? Não falo apenas na destreza corporal, mas na ‘destreza emocional’…

E escrever um romance, ou uma poesia? Num concurso literário, realizado no Japão, um romance escrito por um computador passou a primeira fase. Os responsáveis pela criação deste software inseriram uma espécie de guião, com elementos como o enredo, as personagens, e frases previamente seleccionadas de outros romances. A partir daí o programa escreveu sozinho o livro.

Com um pouco mais de aperfeiçoamento, esta IA poderá um dia demonstrar que nem mesmo os escritores mais criativos estão livres de serem substituídos, e ainda terão de enfrentar títulos como ‘O dia em que o computador escreveu um romance’.

E esta ficção cibernética consegue até ser ameaçadora, senão vejam um excerto do que a IA escreveu nesse livro: “Contorci-me de alegria, sensação que experimentei pela primeira vez, e continuei a escrever com emoção. O dia em que um computador escreveu um romance. O computador, a dar prioridade à procura da sua própria alegria, parou de trabalhar para os seres humanos”.

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Sim, uma Inteligência Artificial a ‘sentir’...

Mas… e se os futuros robots, aqueles que supostamente irão substituir a humanidade, não forem, de todo, capazes de imitar essa criatividade tão nossa, a sensibilidade dos mais ‘fracos’ humanos, as emoções, a imaginação?

Então a nossa Arte, aquela que nós conhecemos, será uma ‘magia’ da antiguidade... talvez vista como uma ilusão, uma fantasia, um conto de fadas para crianças... Não, esperem,... também não vamos ter crianças...

Ok, acabei de convencer-me que, num mundo assim, ainda bem que a Humanidade foi extinta...

Vou largar o teclado, pegar nos pincéis e nas tintas, e criar qualquer coisa...

Estou deprimida.