Já há muito tempo que se sabe que comer depressa faz mal ao estômago e até que engorda. Mas agora, um estudo realizado pela Universidade de Hiroshima (Japão), aponta que essa prática prejudica até o #coração. O estudo foi apresentado na conferência anual da Associação de Cardiologia dos Estados Unidos da América, de acordo com o portal Zap.

A equipa liderada pelo doutor Takayuki Yamaji defende que, ao mastigar muito rápido, as enzimas não exercem totalmente a sua função, o que vai sobrecarregar o estômago, causando até deficiências na absorção de nutrientes.

Sim, talvez aquela regra de mastigar 30 vezes seja um exagero, mas, no fundo, o que se pretendia era que as pessoas tivessem consciência que devem triturar bem o que comem.

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Afinal, trata-se de preparar o organismo para a digestão. Não adianta aderir a uma #Alimentação saudável, aumentar o consumo de frutas e legumes, ou mesmo seguir regimes macrobióticos ou vegetarianos, se se mantiver o mau hábito de comer demasiado rápido.

Muitas vezes somos obrigados a essa ‘pressa’, porque no emprego temos pouco tempo para o almoço, ou porque queremos fazer mil e uma coisas nessa horita em que devíamos sentar e almoçar, ou até por motivos compulsivos e ansiosos que não conseguimos controlar. Mas esse afogadilho vai trazer-nos consequências, más.

O estômago leva cerca de 20 minutos a sentir-se saciado e a dar o aviso ao cérebro que já não tem fome. Se comer muito rápido, quando receber esse aviso já comeu, possivelmente, o dobro do que devia. Resultado: vai sentir-se empanturrado e, com o tempo, vai engordar.

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E se isto não era já suficiente para o convencer, a investigação doutor Yamaji revela agora que esta ‘gula apressada’ aumenta também o risco de Síndrome Metabólica. Este é o nome que se dá ao conjunto de factores de risco relacionados com o desenvolvimento de doenças cardíacas, especialmente as que têm por base a obesidade abdominal. Resumindo: comer depressa = gordura abdominal = a problemas cardíacos. É até uma equação fácil de perceber.

Mas isso também já se sabia, não era? Ou, pelo menos quem sabe fazer contas, desconfiava!

Neste mundo de correria é muito importante saber parar, ou pelo menos ‘desacelerar’. Bem, neste caso… ‘degustar’.

Porque não continuar a equacionar e juntar o momento ‘zen’ ao momento ‘almoço’?!

Comer com calma e com prazer, mastigando bem, apreciando sabores e texturas. Se é na superfície da língua que estão as papilas gustativas, e se nestas existem células sensoriais, é preciso que elas tenham tempo para apreciar o alimento, seja ele salgado, amargo, doce, ácido ou azedo.

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Depois de o engolir o prazer... acaba.

E por falar em momento ‘zen’…

Conhece a 'Meditação da Tangerina'?

Nascido em 1926, Thich Nhat Hanh é monge budista desde os seus dezasseis anos. Sobreviveu a 3 guerras e a 30 anos de exílio. Escreveu mais de 100 livros de ficção, filosofia e poesia. Salvou pessoas, fundou organizações e universidades. É mestre de um dos templos mais importantes do Vietname, cuja origem remonta ao próprio Buda.

Além de promover a ´respiração consciente’, este monge vietnamita defende que se saborear a alimentação com atenção plena, terá uma vida plena. “Savor: Mindful Eating, Mindful Life”

E dá o exemplo da '#Meditação da Tangerina'.

A técnica é simples: comermos esta fruta lentamente, gomo a gomo, sem distracções, reflectindo sobre todo o processo da Mãe Natureza para a criar, o que ela necessitou para chegar até nós, ao mesmo tempo que apreciamos o sabor cítrico e doce. Tal como devemos ter consciência da respiração, também a devemos ter com a alimentação, como se fosse um processo de quase meditação.

Assim, na próxima vez que se sentar para almoçar, esqueça a roupa que tem para estender, esqueça as notícias do jornal, o "Face", o telemóvel, ou as reportagens de futebol… Aprecie cada garfada, deguste, desfrute, fique ‘zen’… o seu coração agradece!