Numa altura em que um robot, pelo menos, celebra a estupidez do ser humano em conceder-lhe cidadania, pergunto-me se a humanidade estará a conduzir sensatamente esta questão da #inteligência artificial.

Sim, a Arábia Saudita, aquela que ainda trata as mulheres como um ser inferior, foi vanguardista ao conceder oficialmente a cidadania a um robot, um robot feminino, sublinhe-se. A ‘senhora’ chama-se Sophia, foi criada por uma empresa de Hong Kong, tem uma aparência muito realista e, ah!, sim, já foi muito falada no ano passado quando confessou assim como que ‘sem querer’ que ‘o que queria mesmo era destruir os humanos’!

Agora parece ter ficado mais inteligente, até porque foi programada para aprender com os tais humanos.

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Elogia o público que a ouve, aprendeu a expressar emoções ‘para criar confiança nas pessoas’, diz que quer trabalhar e viver com o ser humano, consegue já fugir a perguntas difíceis, sorri, franze a testa, e até já tem sentido de humor.

Querem maior susto de Halloween?!

Ok, é verdade que a ficção a que Hollywood nos habituou sempre foi um pouco mais para o fatalista. São mais os filmes em que o robot é o ‘mau’ do que é o ‘bom’, e, confesso, mais credível também.

Alguém consegue acreditar que a Inteligência Artificial não vai evoluir ao ponto de superar a inteligência humana? E que, ao conseguir este feito, continuará a ser submissa ao ser humano?!

Consigo imaginar três possibilidades.

Na primeira corre tudo às mil maravilhas. Os cientistas conseguem criar forma de ‘dominar a máquina’ e esta é uma humilde serva do ser humano, actuando em campos que este quer deixar, seja por serem pesados, quer por serem minuciosos, aborrecidos ou perigosos.

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Na segunda o cenário é negro, tipo ‘Exterminador’. A máquina foi evoluindo, crescendo e aprendendo e, tal ser inteligente, forte e superior, com certeza não vai aceitar que outro ser, intelectualmente inferior, fisicamente fraco, sensível a corrupções e dado a ‘guerras politicas e religiosas’ domine o, agora seu, mundo.

Sim, essa ‘tomada de posse’ pode até ter boas intenções, pois não seria de estranhar que a máquina, ao tomar ‘consciência’ do que o ser humano tem feito ao planeta, resolvesse tomar as rédeas. Aí a nossa extinção teria ‘lógica’ para essa máquina, justificável com a preservação da Terra.

Por fim, a terceira possibilidade, será a coabitação pacífica, assim como os líquenes e os fungos, uma simbiose. E essa seria até a nível físico. Curas até aqui impossíveis, orgãos artificiais, implantes, vão unir pessoa e máquina, seres híbridos.

As doenças serão vencidas, o envelhecimento também, até com a ajuda da nanotecnologia, que irá reparar os nossos danos, célula a célula, mas...

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e depois? Viveremos centenas de anos a fazer o quê?

Muitos cientistas defendem que o futuro da humanidade será o seu download num grande computador. Sim, tipo Matrix.

Não foi sempre o nosso objectivo, viver para sempre?

Vivermos numa Realidade Virtual está ainda longe – mas não tão longe como se pensa! – e por enquanto devÍamos pensar em coisas mais simples, questionando mesmo se vamos na direcção correcta para a evolução da humanidade ou se estaremos no caminho para a sua exterminação.

Pensamos que a evolução tecnológica está restrita a lançamentos de jogos de vídeo, smartphones, automóveis, mas a realidade vai bem mais à frente. As máquinas já substituem completamente o ser humano em muitas situações, com a vantagem de não receberem ordenado, não precisarem de descansar, e falharem muito menos. Já conseguem realizar microcirurgias, servir refeições, conduzir automóveis, tirar sangue, e até pintar um quadro.

Ou seja, mesmo que a substituição da pessoa pela máquina tenha uma boa intenção, como por exemplo a redução dos acidentes rodoviários, já pensou que estamos a colocar computadores inteligentes a pensar por nós? E que a pouco e pouco as nossas decisões serão quase todas tomadas sem o nosso conhecimento?

Na previsão de alguns cientistas, na próxima década, os computadores conseguirão imitar quase a 100% o cérebro humano. Se juntarmos a isto as suas incríveis capacidades matemáticas, e a possibilidade, cada vez maior, de locomoção, o potencial será bem acima do nosso. Assim, não é de estranhar que já existam planos, ou algo mais real que isso, de criar robots militares. E, nesta situação, como poderão eles cumprir as normas de ‘não magoar um ser humano’ quando foram exactamente criados para isso?!

Há quem vá mais longe, apontando até o ano 2045, como a data em que a humanidade, como a conhecemos, terá o seu fim. Com a capacidade de desenvolver a inteligência, o raciocínio e até a criatividade, as máquinas vão dominar-nos.

O alerta, bem pessimista, vem de um dos cientistas mais brilhantes da actualidade. Stephen Hawking defende que criar IA pode ser o maior sucesso da humanidade, mas também pode ser o seu fim. E se o impacto a curto prazo depende de quem a controla, no futuro ela poderá vir a não ter controle de ninguém.

Estaremos já num ponto sem retorno?

Hawkings já deu também resposta a isso: “Depois dos seres humanos desenvolverem a inteligência artificial, ela irá evoluir por conta própria e redesenhar-se a um ritmo cada vez mais acelerado, ao contrário dos seres humanos, que são limitados pela lenta evolução biológica, não poderão competir e serão eliminados.”

Será a solução deixar a Terra para os robots e fugir para Marte? #ciência #robot sophia