António Ferreira é a única testemunha que sobreviveu ao #Massacre de Aguiar da Beira ocorrido a 11 outubro de 2016. Tem actualmente 42 anos, é natural de Lisboa, com residência numa aldeia de Penalva do Castelo, é militar da Guarda Nacional Republicana (#GNR) de profissão e estava a prestar serviço no Posto Territorial da GNR de Aguiar da Beira. Segundo os colegas, sempre foi um grande profissional e um excelente colega. Nesse dia que se viria a tornar sangrento, Ferreira era o chefe da patrulha da GNR que abordou Pedro João Dias, nas proximidades do hotel em construção nas Caldas da Cavaca, e foi ele que testemunhou presencialmente o seu colega Carlos Caetano a ser baleado.

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António foi então obrigado por #Pedro Dias a colocar o seu colega, já sem vida, na bagageira do carro patrulha. Posteriormente, foi obrigado a conduzir o próprio carro patrulha da GNR com uma arma apontada à cabeça durante cerca de 15 quilómetros. Durante todo o trajecto, permaneceu preso por algemas ao veículo. Quando finalmente chegaram à Quinta da Estrada, Pedro Dias obrigou-o a parar e ordenou-lhe que se ajoelhasse. O carro patrulha parou próximo a um pinhal, e o acusado deu ordem a Ferreira para que ele próprio se algemasse a um pinheiro. Após o mesmo se ter algemado, Pedro Dias disparou a sangue frio e pelas costas. Quando António recuperou a consciência, teve o sangue frio necessário de se fingir de morto, na tentativa de se manter vivo e de não ser novamente alvejado, até que o homicida abandonasse o local.

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Logo que Pedro Dias desapareceu do local, o militar da GNR, ferido com gravidade e a perder sangue, ainda se arrastou pelo mato até uma pequena aldeia para pedir socorro. Já eram 07h15 quando António Ferreira conseguiu encontrar a primeira casa, que por mero acaso era também de um militar da GNR, seu colega. As luzes estavam acesas, bateu à porta e pediu ajuda. Terá dito que Caetano estava morto, que ele próprio precisava de ajuda e logo de seguida ficou inconsciente por tempo indeterminado. Foi no exercício das suas funções de militar da GNR que António Ferreira ficou gravemente ferido após ser baleado, e que viu um colega seu cair sem vida, após ser alvejado de forma tão violenta.

Apesar de já ter dado o seu testemunho, tem agora pela frente o julgamento de Pedro Dias, que entretanto esteve em prisão preventiva numa cadeia de alta segurança à espera do mesmo. Foi no passado dia 3 de Novembro que a primeira sessão do julgamento teve lugar. António Ferreira pediu para Pedro Dias sair da sala de audiência, pois não conseguia olhar para ele.

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Pedro Dias saiu da sala e marcou presença no julgamento por videoconferência.

Devido ao estado de saúde de António Ferreira ser muito frágil, o militar não consegue manter-se muito tempo sentado, sendo o colectivo de juízes alertado para o facto. Além disso, revela alguma dificuldade para falar e sofre com dores. António Ferreira vive diariamente com uma bala alojada na cervical, localizada mais precisamente entre a C1 e C2, e que não pode ser removida, pois poderia provocar lesões permanentes. Todo o cuidado é pouco, para evitar que a bala se mova e possa provocar lesões graves e permanentes. Movimentos simples, como efectuar a sua higiene, não podem ser efectuados sem ajuda.

Devido ao intenso trauma que viveu, o militar encontra-se acompanhado por um psiquiatra da Casa de Saúde de Viseu, e por uma psicóloga da Câmara de Aguiar da Beira. Não admira que depois de tudo aquilo por que passou, que necessite de medicação para dormir, uma vez que as imagens do massacre ficarão na sua mente por muito tempo gravadas, e dificilmente ele voltará a ser como era. E a cada dia que passa ele vê o seu sonho de ser GNR a desmoronar-se, enquanto ele próprio luta pela vida, pois ainda corre muitos riscos.