Foi no dia 11 de outubro de 2016 que Carlos Caetano, um militar da Guarda Nacional Republicana (GNR) e o seu colega António Ferreira, andavam a fazer uma ronda quando passaram nas proximidades do Hotel das Termas da Cavaca, onde iam ocorrendo alguns incêndios. Aperceberam-se, em dado momento, de uma carrinha parada, com um homem no lugar do condutor que se encontrava a dormir. Resolveram abordar o homem e pedir-lhe apenas a respectiva identificação.

Mas como aparentemente o titulo de propriedade do veículo e do titular da carta de condução causaram algumas dúvidas aos militares, Carlos Caetano terá comunicado com o posto de Fornos de Algodres para obter mais informações sobre os documentos, e foi quando o mesmo terá sido alertado que Pedro Dias se tratava de uma pessoa perigosa e que provavelmente até andaria armado.

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O condutor da carrinha alegadamente apercebeu-se que algo estava mal, e resolveu disparar mortalmente contra Carlos Caetano. Em seguida, obrigou Antóbio Ferreira a colocar o colega morto na bagageira do carro-patrulha, levando-o para o banco do passageiro e algemando-o ao carro para que não pudesse fugir. Ainda andou às voltas, terá mesmo passado varias vezes perto do posto da GNR questionando o militar sobre as rotinas dos militares que aí estavam a trabalhar, mas acabou por se retirar e parou junto a um pinhal.

Foi então que parou a viatura e pediu a António Ferreira que se algemasse num pinheiro e logo depois atirou a matar contra a cabeça do militar e fugiu, julgando-o morto também. Mas ele conseguiu fugir e pedir ajuda, e salvou-se quase por milagre de uma morte quase certa.

Nesta sexta-feira (3 de Novembro), tal como toda a comunicação social avançou, foi o primeiro dia do julgamento de Pedro Dias, o responsável do massacre de Aguiar da Beira.

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Ele está acusado de vários crimes, nomeadamente três de homicídio qualificado sob a forma consumada, três crimes de homicídio qualificado sob a forma tentada e três crimes de sequestro. De igual forma, encontra-se ainda acusado também de crimes de roubo de automóveis, de armas da GNR e de quantias em dinheiro, e de detenção, uso e porte de armas proibidas.

Desse banho de sangue, apenas restou uma testemunha viva: António Ferreira, que presenciou a morte violenta do seu colega, e também foi alvo de um disparo na cabeça, mas felizmente conseguiu sobreviver. Depois desse dia, e após decisão do tribunal, o sobrevivente do massacre de Aguiar da Beira encontra-se com protecção policial 24 horas por dia.

As sequelas que sofre António Ferreira

É de salientar que o estado de saúde do único sobrevivente de Aguiar da Beira vai sempre inspirar sérios cuidados, pelo que tem uma vida bastante limitada. Um qualquer movimento pode fazer a bala deslocar-se e provocar danos sérios e permanentes. A bala encontra-se alojada na cervical, em local de difícil acesso cirúrgico, e onde o risco de operar é muito maior do que não operar.

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A sua vida pessoal sofreu uma grande mudança, e hábitos tão banais como o de fazer a barba ou a sua própria higiene pessoal tornaram-se momentos mais complicados.

A sua vida profissional muito provavelmente nunca mais será a mesma. Depois de momentos tão traumáticos como aquele que ele viveu, nunca mais voltará a ser o mesmo com toda a certeza.

Não é de admirar que necessite de medicação para dormir e descansar, é de todo expectável que aquelas imagens não lhe saiam da mente. São situações que traumatizam bastante, e que podem mesmo causar danos psicológicos irreversíveis. Qualquer pessoa que passe por uma experiência daquelas nunca mais será a mesma, e dificilmente conseguirá voltar a ter uma vida normal. #militarGNR #Violência