No passado dia 15, Ivanice, uma mulher de nacionalidade brasileira, com 36 anos, acabou por ser uma vítima mortal acidental no decorrer de uma perseguição policial feita por agentes da Polícia de Segurança Pública (#PSP). A viatura onde seguia essa mulher era conduzida por um homem que, além de não ter autorização de conduzir (sem carta de condução), também não possuía seguro da viatura. Razões pela qual, o mesmo desobedeceu a ordem de paragem dada pelos agentes de autoridade várias vezes.

A viatura foi na altura interceptada pelas autoridades, por ser em muito semelhante a um carro usado por assaltantes a um multibanco em Almada, poucas horas antes, e que se encontravam em fuga.

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Além de desrespeitar a ordem policial e fugir, tentou ainda atropelar os agentes, deixando mesmo um dos agentes da PSP ferido. Foi então que os policias dispararam para a viatura no intuito de a imobilizarem, mas infelizmente, um desses disparos acabou por atingir Ivanice.

Agente esse que teve mesmo que receber tratamento hospitalar devido às lesões que sofreu. De realçar ainda que, alegadamente, o condutor, mesmo depois da mulher ter sido baleada, terá prolongado a sua fuga por mais dois quilómetros, não permitindo assim que a mesma pudesse ter tido assistência médica imediata. O condutor foi entretanto detido por condução sem habilitação legal, por desobediência à ordem de paragem e por condução perigosa. Os agentes da PSP envolvidos neste caso foram considerados arguidos, e podem mesmo virem a ser acusados de homicídio por negligência.

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Já todos sabemos (ou devíamos saber), que o recurso a arma de fogo para os agentes da PSP e os militares da Guarda Nacional Republicana (GNR) é apenas permitido em caso de absoluta necessidade, como medida extrema, quando outros meios menos perigosos se mostraram ineficazes, e desde que seja proporcional às circunstâncias. E todos os elementos das forças de segurança são obrigados a respeitar um rigoroso protocolo de segurança no uso das armas de fogo.

A primordial missão da polícia é, e sempre foi, proteger pessoas e bens, mesmo que com o sacrifício da própria vida. Se eles estão preparados e treinados para morrer a proteger quem precisa, é impensável alguém pensar que eles possam atirar a matar. Sempre que um polícia dispara, nunca é para matar. Os primeiros disparos que estão obrigados a fazer é sempre para o ar, são tiros de aviso para desmobilizarem, para intimidarem e para dissuadirem os suspeitos das suas intenções. Mas não são poucas as vezes que, mesmo assim, os suspeitos não desistem dos seus intentos e prosseguem.

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Basta recordarmos o caso do Hugo Ernano, o militar da Guarda Nacional Republicano (GNR) que atingiu mortalmente, de forma acidental, um menor levado pelo próprio pai para uma assalto, e que ia no interior de uma viatura em fuga das autoridades, que também não parou após esses mesmos tiros de aviso.

Tal como no caso do Hugo Ernano, em que se o pai do menor nunca tivesse levado o próprio filho para um assalto, o filho ainda seria vivo, também a mulher brasileira não teria perdido a sua vida se o condutor da viatura simplesmente tivesse parado, mesmo que sem seguro ou carta de condução. #perseguição policial #sociedade