"Não adopto este silêncio" é uma causa que surgiu baseada nas peças de Alexandra Borges e Judite França, jornalistas de investigação.

Como se não bastasse o que constantemente vimos a conhecer sobre a #adopção de #Crianças no nosso país, acabamos agora por saber também que a coordenação é tão boa que se permite até o tráfico para o estrangeiro.

De acordo com a investigação, a IURD forjava provas de que os pais das crianças que pretendia eram toxicodependentes, seropositivos, e que não visitavam sequer os pequenos. O Tribunal nada fez para saber se tais factos eram verdadeiros.

Por vezes ouvimos casos de negligência parental, mas nestes casos, tal parece que não existia.

Esses meninos e meninas estavam num lar, chamado 'Mão Amiga', gerido pela IURD (Igreja Universal do Reino de Deus) a partir de 1994, e, enquanto os pais pensavam que os seus filhos estavam lá provisoriamente, os pastores e bispos desta instituição 'adoptavam-nas' de forma ilegal.

Afirmado pelas jornalistas, foi assim com dez dessas crianças, mas, sem rasto, sabe-se lá com quantas mais poderá ter acontecido o mesmo...

E, perguntamos nós, como é possível isto acontecer no nosso país?

Estamos na Europa, num país civilizado, com leis que são cumpridas, que cumpre os Direitos Humanos ou isto é um lugar à 'beira mar plantado' do terceiro mundo??

'Vendemos' crianças a quem tenha dinheiro e influência para as 'comprar'?!

E ninguém denunciava este 'catálogo' de venda para o Brasil?

Sabe-se, pela Renascença, que no ano de 2000 o Instituto Português da Criança teve suspeitas de corrupção deste Lar, mas a Segurança Social não deve ter feito grandes investigações pois arquivou o processo no ano seguinte.

Aliás, muitas das crianças foram enviadas para lá pela própria Segurança Social e pelos Tribunais. Como é possível, se o Lar funcionava de forma ilegal?!

Mas o certo é que funcionou, de 1994 a 2001, em plena Lisboa, aproveitando-se de famílias em dificuldades...

Por seu lado, a IURD defende-se, dizendo que está a ser vítima de uma campanha, falsa e difamatória. A verdade é que o delator é alguém da 'casa', Alfredo Paulo Filho, que deixou de pertencer à dita em 2013, segundo eles porque teve 'condutas impróprias'.

No entanto, existem mais testemunhos de pessoas envolvidas, incluindo as mães das crianças.

Mais uma vez temos de agradecer as estas jornalistas por divulgarem casos revoltantes, que, possivelmente, só seguem para investigação devido a esta força da Comunicação Social. Vinte anos depois são finalmente abertos dois inquéritos, da Segurança Social e do Ministério Público. Os crimes já prescreveram, mas as mães podem processar o Estado. Mas os seus filhos estão possivelmente perdidos para sempre.

'Um Segredo dos Deuses' a que eu chamaria mais 'um segredo dos diabos'.

Já não é de agora que é graças a este jornalismo que conhecemos o mundo negro da adopção. Algo que, de tão frágil, devia ser tratado com muito mais respeito, carinho e atenção.

Infelizmente, as crianças parecem estar ainda no fim das prioridades deste país...

O que podemos fazer?

Voltando à 'causa', apelo também: Não adoptem este silêncio! (sim, para mim também com o 'p')

Nem este, nem nenhum outro que implique calar perante o sofrimento e a injustiça.

Parece que andamos cada vez mais conformados com o 'sistema', que é 'assim' e nada fazemos para o mudar, ou mesmo denunciar. Se não o fazemos torna-mo-nos cúmplices.

Vá a http://peticaopublica.com/inviter.aspx?pi=PT87834 e assine a petição.

Mas não faça só isso.

A indiferença não fará a diferença...