O homem forte da Região Autónoma da Madeira anunciou há dias que irá demitir-se após o Congresso que irá eleger o novo presidente do Partido Social Democrata da Região. Jardim preside a este partido há décadas e promete não abandonar. Agora que se contam as espingardas para um novo líder (de recordar que estão a corrida seis possíveis sucessores), sendo o melhor colocado Miguel Albuquerque atual Presidente da Câmara Municipal do Funchal que de "aprendiz" passou a "arqui-inimigo", o ainda Presidente da Região Autónoma vê-se confrontado com o cenário que deixa na Região.

A herança que Jardim deixa poderia resumir-se em: muito turismo, muito betão, muito milhão, muita inflação.

Publicidade
Publicidade

Este é o cenário que, obviamente, a oposição (nomeadamente o Partido Socialista, que nas últimas Eleições Autárquicas deu um verdadeiro golpe ao partido de Jardim) irá usar durante a campanha à liderança do Executivo madeirense.

Foram quarenta e sete mil milhões de euros (47.000.000.000,00€) gastos (Despesa Global) durante os 36 anos em que Alberto João governou o arquipélago. A crescente quantia do Orçamento de Estado da Região começou logo no primeiro mandato do atual chefe de #Governo Regional. Enquanto o primeiro executivo madeirense, chefiado por Ornelas Camacho, apresentou à Assembleia Regional um Orçamento de 7,5 milhões de euros (uma conversão simples de escudos em euros, sem inflação) em 1977, no ano em que entrou para a presidência do governo (1978), Jardim teve ao seu dispor um orçamento de 16,8 milhões de euros, o qual triplicou em 1980.

Publicidade

Um "sobe, sobe" que em 1988 atingiu 224 milhões de euros e passado mais uma década subiu quase 3,5 vezes mais, para o valor de 769 milhões em 1998. Mas não se ficou por aí, novo milénio, novo galgar de Orçamento, atingindo os dois mil milhões (2.000.000.000,00€), chegando a 2012 com 2,2 mil milhões de euros de investimento, o que significou um aumento de 31,8% ao valor da despesa do ano anterior. Certo é que o despesismo sem fim ainda teve bónus, isto porque nesse mesmo ano a Madeira contou com a primeira tranche do empréstimo do Governo da República previsto no Programa de Ajustamento Económico e Financeiro, que rondou os valores de 1500 milhões de euros, para cobrir as suas elevadas dívidas.

Jardim chega ao fim de 36 anos com um gasto milionário e com muita dívida à mistura. Uma realidade com que o próximo Governo terá de se deparar e governar com atenção ao défice financeiro.