A notícia é avançada pelo jornal Público que hoje anuncia o financiamento ilegal da maior festa comunista em Portugal. A Festa do Avante, que se realiza no Seixal há já 38 anos, é um dos grandes bastiões do Partido Comunista Português e a sua "jóia da coroa". Agora vê-se confrontada com um cenário que coloca a família comunista em xeque, num momento em que Ricardo Salgado, o ex-Presidente do Conselho de Administração da extinta instituição bancária, responde em Parlamento na sede de Comissão de Inquérito. O PCP foi um dos partidos mais corrosivos no questionário que levou nove longas horas.

O financiamento de 11 mil euros, aprovado em 24 de Março pela instituição, serviu como abate ao montante que o Festival teria de pagar à mesma instituição bancária (BES) a título de montagem de caixas de multibancos e cofres noturnos que rondaria os 23 mil euros.

Publicidade
Publicidade

Tal situação é proibida por lei, "É vedado aos partidos políticos: (…) receber ou aceitar quaisquer contribuições ou donativos indirectos que se traduzam no pagamento por terceiros de despesas que àqueles aproveitem", no entanto a verba não foi abatida do montante mas sim adjudicada pela Administração a título de financiamento.

O Partido Comunista Português já contestou e negou qualquer tipo de financiamento do antigo Banco da família Espírito Santo, no entanto um documento proveniente do Departamento de Municípios e Institucionais do BES comprova a verba comparticipada. No referido documento pode ler-se que o PCP é que entrou em contacto com o BES por forma a solicitar o financiamento, depreendendo-se que era um financiamento habitual - [O PCP] "solicita que o BES mantenha o apoio à realização da Festa do Avante!".

Publicidade

Na resposta o BES afirma que o apoio encontrava-se já "previsto no orçamento do Departamento de Comunicação", evidenciando que este não terá sido um financiamento único.

Fonte do PCP afirma que "a relação que a Festa do Avante! detém com o BES é estritamente de natureza comercial". No entanto parece que a polémica ainda agora começou. Quer a instituição bancária quer o partido político vêem-se agora unidos numa história que não vem facilitar a vida a nenhuma das instituições.