A Câmara Municipal de Lisboa (CML) emitiu um comunicado à imprensa neste sábado, com a indicação de novas proibições à circulação de carros velhos no centro da cidade. Os carros anteriores a 2000 não podem circular na Avenida da Liberdade e na Baixa, embora possam fazer o atravessamento desta zona entre a "praça da Alegria e a rua das Pretas" e também "na rua da Conceição". Para os carros mais velhos, anteriores a 1996, o limite estende-se às Avenidas Novas, nomeadamente avenida dos Estados Unidos, Forças Armadas, António Spínola, Santo Condestável, etc. De acordo com a CML, esta é a terceira fase de implementação de restrições à circulação de carros velhos, depois das medidas implementadas em 2011 e 2012.



Tiago Farias, director municipal de Mobilidade e Transportes, reafirma que o objectivo é reduzir a poluição no centro da cidade, "nomeadamente na Avenida da Liberdade." Farias aponta também que a intenção é promover os chamados "modos activos" de transporte, nomeadamente o transporte público e também "andar a pé." Estão excluídos da medida, contudo, motociclos, veículos não poluentes (GPL, gás natural) e também veículos do Estado (polícia, militares, emergência médica), bem como carros históricos e de residentes. As alterações entram em vigor no próximo 15 de Janeiro.



O Blasting News falou com Manuela Lopes, residente em Ramada, Odivelas, e proprietária de um Ford Fiesta 1.1 de 1993. Questionada sobre a pertinência das novas regras, a sra. Lopes referiu que "basicamente, é uma discriminação das pessoas em função do seu poder de compra. Por mais que eu seja a favor do meio ambiente, não posso estar a favor." Manuela Lopes aponta que "todos os anos levo o meu carro à inspecção. Para poder circular, ele tem de cumprir um limite de emissões de dióxido de carbono. Mas, para o sr. Costa de Lisboa, as emissões da lei não são suficientes." Manuela aprofunda o que descreve por discriminação: "eu gostava muito de ter um carro de 2001. Aliás, bom mesmo era ter um carro novo, talvez um híbrido, ou um eléctrico, ou mesmo a gasolina mas novo. Infelizmente, não tenho essa possibilidade, por motivos financeiros. Eu e todas as pessoas que não podem comprar um carro novo estão a ser discriminadas no que respeita à circulação na capital." Manuela termina com um remoque dirigido à autarquia lisboeta: "talvez eu possa candidatar-me a receber uma casa paga pela Câmara de Lisboa, como tem acontecido com os amigalhaços. Nessa altura, por mim podem proibir toda a gente de circular no centro. Aliás, deviam proibir tudo o que é carro velho para os turistas não pensarem que somos um país pobre." Manuela termina com um rebate directo ao director municipal Tiago Farias: "tenho alguma curiosidade em saber se o sr. director Farias também usa um transporte activo e se vai a pé para a Câmara."