A queda dos preços do combustível não pára e está a atingir mínimos de vários anos. Desde a crise do verão de 2008 que não se viam preços tão baixos. Esta semana, o combustível tornou a descer 3 cêntimos, existindo agora gasolineiras low-cost a vender a 1,229€/litro. E de acordo com o Jornal de Negócios, o estabelecimento do Jumbo de Santo Tirso tornou-se o primeiro em todo o país a vender o gasóleo a menos de 1€/litro - o preço psicológico que em tempos se julgava inultrapassável e que agora parece milagroso.


Os combustíveis vão subir 5 a 6,5 cêntimos já no início do próximo ano, devido à aplicação de um novo imposto, o chamado "Imposto Verde", e também da subida do próprio imposto sobre os produtos petrolíferos. Contudo, os portugueses quase não conseguirão notar a diferença, sendo um timing perfeito para o governo nesta matéria. Os combustíveis desceram cerca de 25 cêntimos desde há três meses, numa situação perfeitamente inédita relativamente aos últimos anos. E é possível que mesmo a subida devida aos impostos venha a ser compensada por novas descidas, uma vez que o preço do petróleo ainda não estabilizou.


O preço do petróleo é o tema quente da política mundial neste final de ano. A OPEP, liderada pela Arábia Saudita, insiste em manter os níveis de produção actuais, o que está a levar a uma queda abrupta do preço desta matéria-prima nos mercados internacionais. A medida tem sido vista como uma guerra económica movida pelos Estados Unidos contra a Rússia e o Irão, países cujo orçamento de Estado depende em grande parte das exportações de combustíveis fósseis. No caso da Rússia, a medida está a ter tanto sucesso, do ponto de vista americano, que o rublo sofreu uma desvalorização muito forte - situação que até levou os russos às lojas de mobiliário e informática para aproveitar a moeda antes que perdesse mais valor. Outra motivação poderá ser o facto de o próprio Estado Islâmico conseguir boa parte das suas receitas através da venda ilegal de petróleo. Desta forma, os Estados Unidos estão a conseguir agredir uma série de adversários, através daquilo que os próprios americanos têm sido acusados de sofrer, e de estar por trás da sua política externa: a dependência do petróleo.


Para os portugueses, este é o tempo de aproveitar, especialmente para quem vai fazer longas viagens no Natal. O Blasting News falou com Helena Ferreira, cidadã anónima e condutora habitual, que se mostrou contente com a situação. "O meu marido acha que a gasolina está sempre a subir e a descer e que daqui a uns dias já sobe outra vez, mas acho que ele não fez bem as contas. As pessoas estão habituadas ao que aconteceu desde 2008 e estão à espera que suba já novamente. Mas ninguém está atento ao petróleo." Questionada sobre o aumento dos combustíveis devido à nova carga fiscal, Helena aponta que "uma subida de 7 cêntimos não faz esquecer uma descida de 25." Para Helena, e com humor, o ideal seria "arranjar uns jerrycans e guardar gasóleo na garagem para quando subir outra vez, mais a sério. Mas não é algo que seja previsível nos meses mais próximos."