De acordo com os dados do Observatório Europeu do Jornalismo (OEJ), Portugal perdeu mais de 1200 jornalistas nos últimos sete anos. Esta diminuição de 17% é calculada tendo em conta o número de carteiras profissionais, documento que regula a profissão, que estão activas. Desde 2007, o número de carteiras passou de 6839 para 5621, e a principal causa é o #Desemprego. "Despedimentos anunciados entre 2012 e 2014 ajudam a explicar a quebra, como os ocorridos na Controliveste (64), Sol (20), Agência Lusa (22), Público (28), Impala (29), Cofina (8), Diário de Notícias da Madeira (14), sem esquecer o Plano de Saídas Voluntárias da RTP (em curso)", diz o OEJ.

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Mas os mais jovens na profissão sabem que a carteira profissional é equivalente aos dados do desemprego que o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) normalmente anuncia: os números denunciam uma situação mais grave na realidade, até porque muitos jornalistas em início de profissão não têm acesso à carteira profissional, tal como o desemprego geral é apenas uma referência já que se sabe que há muitas pessoas que não se inscrevem no IEFP e que não contam para as estatísticas alguns dos desempregados. Além do desemprego, o Observatório dá ainda conta dos "vínculos precários" a que a classe em geral está sujeita, nomeadamente os falsos recibos verdes e o pagamento à peça, duas situações que são comuns para jornalistas sem carteira profissional ou apenas com a carteira de colaborador, mesmo sendo importantes para o "processo produtivo" das empresas onde trabalham.

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Por outro lado, é muito difícil aos jovens entrar para a profissão. "Diria que por cada 10 jornalistas que saem, entra um, normalmente um jovem, com salário baixo. Ou entra um estagiário para substituir alguém de baixa ou uma pessoa que saiu e faz seis meses. É assim que entram os jovens", explica ao Observatório a directora do Público, Bárbara Reis.

Note-se que para adquirir a carteira profissional, é preciso manter por um ano a carteira de estagiário e com um conjunto de critérios que nem sempre são exequíveis, como ter um "orientador de estágio". Além dessa dificuldade, se findo o estágio não conseguirem obter um contrato de trabalho, a carteira é suspensa até reintegrarem a carreira. Por isso mesmo, o número de carteiras profissionais activas é, por si só, apenas uma noção do real problema do sector.

O futuro da informação

Uma das características de uma sociedade democrática é a variedade e a qualidade de informação disponível, mas tal como em muitas outras áreas profissionais, este sector está à mercê da conjuntura, especialmente do desemprego e da precariedade.

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Assim sendo, poderá a informação a que temos acesso ser de qualidade quando são poucos os jornalistas que estão neste momento a trabalhar com as condições ideias?

Por outro lado, a internet vem abrir caminho a um novo tipo de informação, mais semelhante ao chamado "jornalismo do cidadão". Sites como o Blasting News possibilitam que jovens que não consigam integrar o mercado de trabalho possam manter-se activos, trabalhando por conta própria e de forma independente. Por isso mesmo, e sem uma chefia tradicional, o futuro do jornalismo de qualidade está de boa saúde, ainda que os jovens não tenham acesso às condições de trabalho convencionais. Através da internet, é possível divulgar conteúdos imparciais, mas ao mesmo tempo de um ponto de vista pessoal, de acordo com vivências, e de forma local. O meio digital pode ser a esperança para os jovens jornalistas.