O condutor de uma ambulância dos bombeiros de Óbidos foi multado por ter parado na auto-estrada A8, trazendo um cadáver. A ambulância encostou à berma para proceder a manobras de reanimação de uma doente de 80 anos, que veio a falecer. Tendo um médico a bordo que declarou o óbito, e como a lei impede que o cadáver seja deslocado sem autorização do Ministério Público, os bombeiros chamaram a GNR para os procedimentos necessários. Contudo, a GNR de Torres Vedras, quando chegou, multou o condutor por estar parado na auto-estrada. O caso deu-se na madrugada de terça-feira, e a ambulância deslocava-se de Caldas da Rainha para Lisboa (hospital de Santa Maria).


A corporação obidense reagiu com indignação junto dos média. Os Bombeiros reportam que os agentes, ao chegar junto da ambulância, ignoraram a questão do cadáver, identificaram todos os tripulantes e autuaram o motorista. De acordo com o Correio da Manhã, e em declarações ao jornal, o comandante da GNR torreense afirmou que seria compreensível parar durante as manobras de reanimação, mas uma vez declarado o óbito, a ambulância poderia ter-se deslocado até um ramal de acesso. Mas os Bombeiros respondem que, existindo um médico a bordo e tendo declarado o óbito, as autoridades deveriam ter confirmado o local onde se deu a morte e acompanhado a ambulância até à saída mais próxima. Na quarta-feira, contudo, a GNR emitiu um comunicado declarando que a multa seria arquivada, depois de se ter verificado, após inquérito interno, que não existiu infracção.


Nas redes sociais, as opiniões divergiam. Entre os cidadãos anónimos que reagiram na caixa de comentários do Público, uma maioria de comentadores repudiava a acção da GNR, lembrando a impossibilidade de deslocar um cadáver sem autorização legal. Contudo, Helder Esteves acusava o Público de copiar o estilo populista de outros jornais nacionais e de redigir um título encomendado pelos Bombeiros. Na sua opinião, "se a senhora já estava morta e sendo uma AE, tem que ser removida para um ramal de acesso ou saída de emergência." Contudo, outros cidadãos rebatiam com o estatuto especial da ambulância. Fernando Fernandes: "Uma ambulância é uma viatura especial e, quando em missão urgente de socorro, pode desrespeitar as normas do código da estrada." E Rui Silva: "As ambulâncias só continuam para o hospital apenas, e só apenas, caso não haja um médico para declarar a morte. Assim que é declarada a morte o cadáver não pode sair do local sem autorização do IML" [Instituto de Medicina Legal]. Mas outro comentador, Yago Riveiro, apontava que o estatuto da ambulância não lhe dava liberdade para, por exemplo, "cruzar um sinal vermelho sem parar."
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