O Metro de Lisboa está novamente em greve no dia de hoje, quarta-feira, 17 de Dezembro. Tendo em conta que a última greve, agendada para 13 de Novembro, acabou por ser desconvocada de forma oficiosa, esta é agora a sétima greve do metropolitano da capital em 2014. O número fica ainda distante das 14 greves deste transporte em 2013. A circulação das composições retomará quinta-feira, às 6h30, de acordo com o Diário de Notícias.


Ao contrário da greve de Novembro, convocada para lutar contra a privatização do Metro, a greve de agora é convocada para lutar pelas "condições de vida e de trabalho dos trabalhadores da área operacional." De acordo com a FECTRANS (Federação dos Sindicatos de Transporte e Comunicações), existem desentendimentos sobre "horários, folgas, férias, tempo extraordinário não pago, supressão de postos de trabalho e segurança." De forma indirecta é também contra os despedimentos que causam trabalho extra e falta de operacionais no terreno. A área operacional inclui os maquinistas, o que representa assim uma paragem de 24 horas, a terceira deste ano.


Como habitualmente, a Carris vai reforçar as suas linhas de modo a colmatar a ausência do metropolitano. As carreiras 746, 744, 735 e 726 terão autocarros extra. Há também aviso de uma nova greve para a próxima segunda-feira, desta feita pelo "serviço público", e que havia sido decidida em plenário dos trabalhadores no início deste mês.  Não está prevista a obrigação dos sindicatos cumprirem serviços mínimos, ao contrário do que sucedeu na última, e que havia levado à desconvocação oficiosa por não estarem reunidas condições de segurança, de acordo com o Sindicato. A agência Lusa informou também que havia contactado o Metropolitano de Lisboa relativamente às questões dos sindicatos, mas não teve resposta. 


O Blasting News recolheu a opinião de Armando Cardoso, residente em Moscavide. questionado sobre a pertinência da greve, Armando apontou que "isso é lá com eles, eles é que sabem o patrão que têm", mas não deixou de retorquir, ironizando: "esta cidade dá muitos passos para a tal mobilidade urbana. É os carros velhos que vão deixar de poder circular, é o metro que está sempre em greve. O que vale é que eu não ando de avião, pois também andavam com ideias de taxar isso. Temos mesmo é que andar de bicicleta ou a pé." Relativamente à possibilidade de o Metro ser privatizado, Armando mostrou-se indiferente: "isso por mim é igual. O privado sobe os bilhetes, o público está sempre parado em greve, de qualquer forma não se pode planear uma rotina para andar em Lisboa de metro." Mas não deixou de terminar: "ao contrário da privatização da electricidade ou da água ou do ar, se quiserem, o Metro privatizado sabe que tem concorrentes nos autocarros, nos carros que a gasolina está a descer, etc. Por isso não sei se isso ia ser como se diz, de bilhetes a subir."