Numa altura em que alguns tripulantes da TAP se encontram em greve e que o primeiro-ministro defende a privatização da companhia aérea, os números divulgados pelo Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia não deixam sombra de dúvidas de que as greves são uma forma privilegiada de protesto em Portugal. Só no ano passado, houve 119 greves, número que o Diário de Notícias traduz em mais de 77 mil dias de trabalho perdidos ou 2500 meses ou 214 anos. Isto porque foram 70 mil os trabalhadores que participaram nas paralisações. Quem recorre aos transportes públicos foi quem mais sentiu o peso destas greves, com 62 delas a serem protagonizadas por trabalhadores das redes de transportes públicos.

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O período de tempo em que Portugal recebeu o resgate financeiro internacional foi especialmente prolífero em paralisações. Diz o jornal Económico que as greves custaram ao país 251 mil dias de trabalho entre 2011 e 2013. Só em 2012 foram 127 os dias em que alguns sectores pararam como forma de protesto.

Cruzar os braços para combater medidas de austeridade já faz parte do quotidiano do país. De tal forma que existe um site chamado "Há Greve?" que informa quais são as mais recentes paralisações no sector dos transportes, "para ver se consegue chegar ao trabalho". De facto, os protestos têm um pesado impacto na vida de quem depende dos sectores públicos, especialmente o dos transportes. Até porque por exemplo em Lisboa, nem todos os veículos têm permissão para circular nalgumas das vias principais.

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Já para não falar do custo acrescido do gasto de gasolina por quem já gastou dinheiro no passe mensal para circular através dos transportes ou da impotência de quem não tem mesmo outro meio para chegar ao trabalho.

Este efeito secundário das greves tem especial importância no caso da TAP, com cada dia de greve a custar oito milhões de euros à empresa e também a reputação do país aos olhos dos turistas. O #Turismo é o sector que mais tem crescido no país, a contrariar a tendência que as medidas de austeridade trouxeram. Este ano o crescimento foi de mais de 10%, o que se traduz em 28 milhões de euros que entram diariamente no país graças aos visitantes de outras partes do mundo. Por enquanto o turismo é a "galinha dos ovos de ouro", como comentou há pouco tempo o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas. Mas entre as paralisações da principal companhia aérea do país e as possíveis taxas que se avizinham, é provável que haja um impacto negativo na economia portuguesa se o sector sofrer perdas com estes dois fenómenos. #Governo