A empresa Jornal da Madeira, Lda, vai reunir em Assembleia Geral no próximo dia 30 de Dezembro para aprovar "a constituição de suprimentos no montante de 2,6 milhões de euros." Este é o único ponto de ordem, sendo o suprimento atribuído pelo Governo Regional, e implicando a assinatura de novo contrato. A empresa do Jornal da Madeira é constituída por dois sócios: o Governo Regional (quota de 99%) e a diocese do Funchal (quota de 1%). Esta Assembleia decorre poucos dias antes da já anunciada demissão de Alberto João Jardim do cargo de presidente do Governo Regional da Madeira, e no dia seguinte à realização da segunda volta das eleições para a liderança do PSD/Madeira.


O Jornal da Madeira, financiado praticamente na totalidade pelo Governo Regional, tem sido visto ao longo dos anos como um instrumento de propaganda por parte de Alberto João Jardim e do PSD-Madeira, e um dos pilares das suas sucessivas vitórias eleitorais. Chegaram a existir críticas vindas de observatórios internacionais de liberdade de expressão e que apontavam a situação, criticando o modelo de financiamento do jornal e a sua natural dependência do poder político. As críticas da oposição madeirense vêm-se repetindo também ao longo dos anos, sendo que o espaço disponível para comentários ou opiniões, no jornal, a outros que não do PSD/Madeira é praticamente inexistente. Tal como os outros aspectos da governação de Jardim, também a situação do Jornal da Madeira tem sido posta em causa. De acordo com o Jornal de Negócios, em Fevereiro deste ano Jaime Ramos (o histórico vice-presidente e braço-direito de Jardim) apontava que seria necessária uma maior pluralidade no jornal. Contudo, quer a notícia da marcação da assembleia, quer a própria dotação do orçamento da Região para 2015 apontam que o financiamento deste meio de comunicação social vai manter-se sem alterações.


Nas redes sociais, o comentador anónimo Fernando Sousa alertava que "está-se mesmo a ver que o Alberto João está a preparar a sua arma mediática para utilizar mais tarde, se ou quando precisar. Ele bem avisou que pode voltar à política se não lhe agradar o novo presidente. Depois, vai precisar do seu jornal de sempre para o trabalho do costume." Contudo, outro comentador replicava que o Jornal da Madeira, continuando a pertencer ao Governo Regional, poderá assim estar ao serviço do novo presidente e até "voltar-se contra Jardim, porque na política as reviravoltas acontecem muito rapidamente." Mas Fernando Sousa replicava que "esse jornal é só um dos tentáculos, e os tentáculos trabalham em conjunto."