Foi precisa uma equipa constituída por peritos do Banco de Portugal (BdP), do Ministério das Finanças e de bancos privados para perceber aquilo que já se lia em artigos de opinião e caixas de comentários de notícias sobre a taxa de #Desemprego. São mesmo os chamados "estágios profissionais", subsidiados pelo Estado, que estão a contribuir para a diminuição do desemprego. "Estima-se que o aumento significativo dos estágios profissionais no último ano terá contribuído para o crescimento homólogo do emprego privado por conta de outrem em cerca de 0,9 pontos percentuais no terceiro trimestre do ano" diz o relatório do BdP citado pelo jornal Público.

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Ao todo, o crescimento total do emprego no sector privado nesse período de tempo foi de 2,5%.

Nem os peritos nem a própria Comissão Europeia, que manifestou preocupação sobre a sustentabilidade deste tipo de emprego há pouco tempo, conseguem esclarecer até que ponto os estágios profissionais são garantia de emprego ou sinal de uma taxa de emprego estável para o país a longo prazo. Ou seja, não se sabe por enquanto quantos dos jovens que integram estes estágios pagos através do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) conseguem estabilidade profissional após o vínculo temporário ao serem contratados pelas empresas que os acolheram como estagiários.

Facto é que os estágios têm essa designação por alguma razão e ser estagiário nem sempre é sinónimo de se ser colaborador de uma empresa.

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Os nove meses máximos de duração dos estágios são uma forma de reintegração de trabalhadores no tecido laboral, mas com um prazo de validade e com o senão de os estagiários não poderem integrar outro estágio findo o período do primeiro. Se é verdade que muitos dos estagiários não teriam encontrado trabalho de outra forma, também é verdade que nada impede as empresas de desfrutarem do auxílio do Estado para aumentarem a produtividade da empresa com mão-de-obra a preço de saldo. E neste momento, há cerca de um milhão e 200 mil de possíveis estagiários, ou seja, pessoas inscritas no IEFP e prontas para trabalhar, portanto a oferta é imensa para as empresas.

Mais medidas de emprego até 2020

"A Comissão Europeia adoptou o programa operacional português 'inclusão social e emprego' para a execução do Fundo Social Europeu (FSE) e da Iniciativa para o Emprego dos Jovens (IEJ) para o período de 2014-2020", diz um comunicado de Bruxelas, citado pelo Jornal de Negócios. O programa nacional vai receber 2,5 milhões de euros entre os seis anos para a criação de mais postos de trabalho e de medidas que diminuam a desigualdade e a pobreza.

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Algumas dessas medidas vão directamente para o desenvolvimento de mais acções de formação e qualificação disponível a desempregados, entre os quais pessoas com deficiência e jovens provenientes de meios desfavorecidos, através do IEFP, para apoiar jovens a encontrar trabalho (de que forma, ainda não se sabe) e para apoiar a modernização das empresas, para que estas se tornem mais inclusivas a todos os trabalhadores.

Com estas e outras iniciativas, o BdP estima que a economia portuguesa cresça 1,5% em 2015. Se esse crescimento se basear em medidas subsidiadas cujo nível de sustentabilidade a longo prazo ainda não se conhece, como é o caso dos estágios profissionais, esse crescimento poderá ser apenas temporário, tal como o são esses estágios.