Se ganha o ordenado mínimo e lhe sobram mais despesas do que dinheiro ao final do mês, saiba que a Organização das Nações Unidas (ONU) concorda consigo. É que os rendimentos dos portugueses não estão de acordo com o custo de vida do país, alertou um relatório do Comité dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais da ONU. Além de o recente aumento do salário mínimo nacional para 505 euros continuar a ser insuficiente "para dar aos trabalhadores e às suas famílias uma vida decente", diz o relatório citado pela Lusa, os subsídios como aqueles que garantem a protecção social não estão a abranger todos aqueles que dele necessitam. O documento sugere que o país apenas se focou em cumprir medidas de austeridade e não em cumprir com o Pacto Internacional sobre Direitos Económicos, Sociais e Culturais, anteriormente acordadas pelo Conselho Económico e Social da ONU e assinado por Portugal em 1978.

Publicidade
Publicidade

O maior indicador de que o país se deveria agora preocupar com a qualidade de vida dos portugueses e não com medidas de austeridade é o facto de a taxa de pobreza ter atingido os 18,7% em 2012, segundo os mais recentes dados do Instituto Nacional de Estatística. Outros indicadores, que com certeza fazem parte das preocupações dos portugueses, são a taxa de desemprego, especialmente a dos jovens e a dos desempregados de longa duração, assim como a falta de evolução do poder de compra nos últimos anos para fazer face às despesas mais básicas. As "desigualdades de rendimentos" continuam a ser uma preocupação, apesar de os dados indicarem que foram as famílias com mais rendimentos as mais penalizadas com perda de poder de compra através da diminuição dos seus salários, o que veio aligeirar essa desigualdade.

Publicidade

Mas Portugal não está sozinho. É que a estagnação ou decréscimo de rendimentos é visível em todo o mundo, segundo a Organização Internacional do Trabalho da ONU, e a tendência é que assim se mantenha em todos os países, com excepção da China. Entre 2012 e 2013, a evolução do poder de compra ficou-se pelos 2% segundo as contas, que comparam os rendimentos à inflação e às despesas em todo o mundo. A documentação da ONU vem assim evidenciar o facto de os direitos sociais e a qualidade de vida dos trabalhadores estarem descontextualizados da situação económica.