A economia portuguesa tem estado sob escrutínio desde que foi solicitada ajuda externa, com os meios de comunicação internacionais a analisarem o percurso financeiro até à chegada da troika e as medidas de austeridade implementadas. Hoje em dia estão à vista as consequências e é sobre isso que escrevem os jornais lá fora. Em Dezembro, o Financial Times analisou o cenário português num artigo intitulado "Portugal’s old order loses its grip in painful times of change" ("A velha guarda de Portugal perde força em dolorosos tempos de mudança", em português), no qual menciona o "colapso" do Banco Espírito Santo, que o Fundo Monetário Internacional não previu enquanto punha em prática um "programa rigoroso de reforma e aperto fiscal".

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O artigo cita ainda personalidades como António Costa e Passos Coelho para retratar o aparente falhanço da austeridade e personifica o nome Espírito Santo na perda de controlo da "velha guarda" através de um sistema económico "retrógrada" que está em declínio após décadas de promiscuidade entre as esferas pública e privada, leviandade de critérios na atribuição de empréstimos e ainda investimentos perigosos que beneficiaram apenas uma minoria. 

Não foram deixados de parte os recentes escândalos que desmascararam outras facetas corruptas do sistema financeiro português. Já outros jornais internacionais tinham noticiado o caso dos vistos gold e o Financial Times foi um dos primeiros a fazê-lo na altura. Agora neste recente artigo volta a falar do assunto, juntando a controvérsia do momento: a detenção de José Sócrates, que tem dado que falar no país e lá fora também.

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Ambos os casos foram analisados como exemplo da necessidade de uma mudança de valores e de mentalidade, num contexto económico, mas também social.

Mais recentemente o El Confidencial analisa o papel dos "interesses angolanos" na economia portuguesa, referindo uma "inversão" que faz Portugal parecer agora uma "colónia angolana". O jornal espanhol aponta ainda a intensa procura e presença estrangeira nas empresas do país: "não é por acaso que são os investidores estrangeiros que mais peso têm no PSI-20, com posições de cerca de 3000 milhões de euros", analisa o jornal. 

Numa nota mais positiva, a crise financeira tem inspirado artistas portugueses e os media internacionais têm ajudado a catapultá-los para a fama. Há pouco tempo, o retrato social do país foi resumido na série fotográfica Roof, da autoria de Mário Cruz e publicado no blogue do New York Times. As imagens mostram sem-abrigos em Lisboa como representantes da pobreza e do "sofrimento invisível" que tem estado cada vez mais à vista no rescaldo da crise.

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"Ao contrário de outros países da Europa que estiveram sob uma severa crise financeira, como a Grécia ou Espanha, Portugal não esteve em destaque. Não temos demonstrações violentas nem bancos a tirar a casa às pessoas ou algo do género, mas o prejuízo em Portugal é grande", contou o fotógrafo, citado pelo artigo. 

Já o artista Alexandre Farto, conhecido por VHILS, criou um videoclip para a banda U2 e por causa disso viu celebrizado o seu portefólio de obras de arte de rua. Numa entrevista à agência Reuters, o artista português, que revoluciona edifícios abandonados através de relevos que causam impacto, explicou que foi a crise de 2010 em Portugal que o inspirou a deixar a sua marca por várias cidades.

Da mesma forma, as marcas da crise têm deixado um rasto de problemas, inspirado protestos em todo o país e definido um futuro ainda incerto#Governo