Os trabalhadores da TAP, representados pelos respetivos sindicatos, acabaram de marcar novamente uma paralisação de 4 dias (27 a 30 de dezembro). É a quinta greve do corrente ano, prendendo-se as razões, entre outras, com a privatização da empresa que o governo português pretende efetuar. Tendo sido uma constante no presente ano. Já se contabilizam mais de 700 voos cancelados. Em 2013 terão também ocorrido dias de protestos, devido a cortes salariais inscritos no Orçamento de Estado, tendo contudo o governo aberto a porta de diálogo para uma negociação com os trabalhadores.

Causas das greves

Em 2012, o governo português comprometeu-se com a "Troika" a realizar a privatização da TAP, numa primeira tentativa de venda, tendo sido o processo novamente ativado em novembro, com o objetivo de venda de 66% do grupo. O governo pretende concluir a privatização até 2015 (início do 2.º trimestre), tendo como horizonte uma gestão competitiva na TAP, sem sujeição às normas do Estado. O verão do ano corrente ficou assinalado devido a causas de origem técnica e atrasos por parte da empresa. Também porque não tem ocorrido qualquer aumento nos últimos anos dos salários, com saída de pilotos para outras empresas. Devem-se ainda às escalas das tripulações e turnos decorrentes, ao excesso de horas de voos dos pilotos, à escassez de técnicos especializados, nomeadamente de manutenção, e à questão do direito dos trabalhadores, nomeadamente à assistência à família.

Privatização da TAP

Desde 2012, os sindicatos da transportadora aérea, num total de 12, perceberam que estava em questão um valor baixo de venda da empresa, considerado por muitos como uma "doação". Ou seja, o valor da mesma não se encontra devidamente ponderado. Assim, a plataforma sindical entende que não ocorrerá a recapitalização esperada com a sua venda, uma vez que o governo já terá assumido um valor não superior à dívida que se verifica (1000 milhões de euros. Como consequência de tal venda, podem ainda verificar-se reduções salariais e mesmo perda de postos de trabalho.

Existem 4 candidatos que mostraram interesse na TAP, entre os quais: um empresário brasileiro (dono do grupo de aviação Avianca); um consórcio português, dirigido pelo empresário Miguel Pais do Amaral; e Frank Lorenzo, milionário norte americano.


Tem vindo ainda a ser defendido pelo presidente da TAP, que a greve deverá ser o último recurso, pois a empresa não saberá se consegue obter lucros face às greves que têm vindo a ocorrer.