O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) clarificou ontem a sua posição sobre a greve e o facto de ter recusado desconvocar o pré-aviso. De acordo com Nuno Fonseca, vice-presidente do sindicato, o governo assume a privatização que não é aceite pelos trabalhadores, e o memorando proposto não dá garantias sobre a manutenção dos postos de trabalho. O sindicalista apontou ainda que, embora a requisição civil imposta judicialmente anule os efeitos práticos da greve, trata-se de "agitar consciências" e chamar a atenção para a questão e o futuro da TAP, que "não pode ser vendida", de acordo com o seu ponto de vista. O SNPVAC foi um dos 3 sindicatos que mantiveram a greve, juntamente com o SINTAC (Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil) e o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação e dos Aeroportos (SITAVA). A greve foi desconvocada pelos restantes 9 sindicatos envolvidos, depois de o governo, no memorando apresentado, ter aceitado discutir as "condições para manter a TAP em Portugal por 10 anos após a privatização."


A marcação da greve acabou por se tornar um dos principais pontos da agenda política deste final de ano. Recorde-se que o governo aprovou, no passado mês de Novembro, a venda de 66% da TAP, depois de uma primeira tentativa sem sucesso em 2012. De acordo com o secretário de Estado dos Transportes, o governo considera que a TAP "precisa de capital para continuar a crescer" e que não é possível investir dinheiros públicos na empresa. O ex-presidente da República, Ramalho Eanes, afirmou em declarações recentes aos média que "o governo não explicou bem os motivos da privatização e que é necessário fazê-lo para que a opinião pública possa aceitar esta decisão." Os sindicatos retorquiram com um pré-aviso de greve para os dias 27 a 30 de Dezembro, sustentando que seria necessário garantir os postos de trabalhos e os direitos negociados. Os sindicatos apontaram, como ameaças, a "subcontratação, programas de revitalização empresarial e transferência de voos para outras empresas."