Três homens foram dados como desaparecidos ontem, sábado, quando se dedicavam à pesca da amêijoa no estuário do rio Tejo, na zona do Barreiro. Às 17h30 de sábado, foi encontrado o cadáver de um dos três homens, já na Ponta dos Corvos (concelho do Seixal), sendo as buscas interrompidas por volta das 19h30, já noite fechada. Hoje, as buscas foram retomadas ao nascer do sol e interrompidas de novo com o pôr do sol, sendo retomadas novamente amanhã de manhã. Além dos meios da Polícia Marítima, as buscas incluem um helicóptero da Força Aérea. 


A apanha da amêijoa é uma actividade económica que reúne, provavelmente, centenas de pessoas na zona do estuário do Tejo. Entre pessoas desempregadas ou como complemento de um emprego, o facto de ser ilegal não afasta os aventureiros, que procuram evitar as fiscalizações das autoridades. Já em 2010, o Diário de Notícias relatava que o quilograma de amêijoa japónica (espécie exótica, não natural da região) era pago a 4 euros. Um pescador contava que um dia de trabalho podia render entre 80 euros (20 quilos) a 120 euros (30 quilos), o que facilmente explica a atracção por este trabalho duro e arriscado; um mês com 20 dias de trabalho poderia assim render 2000 euros, livres de impostos. Os pescadores levam equipamento profissional, com fato de mergulho, botija de oxigénio e uma ferramenta artesanal simples, para ser operada por uma só pessoa. E só nesse ano, de acordo com o DN, mais de 30.000 quilos de amêijoa foram apreendidos nesse ano de 2010.


Em 2012, o Correio da Manhã salientava os riscos a que se expõem os mergulhadores e o esforço das autoridades para apanhar os mergulhadores em flagrante. A Polícia Marítima mencionava, à data, que a apanha de amêijoa só era permitida a jusante da ponte 25 de Abril e que a utilização de equipamento com botija era proibida em qualquer circunstância, podendo ser apreendida. Também em 2012, um oficial da Polícia Marítima referia que, pessoalmente, já havia encontrado dois cadáveres no âmbito de buscas à pesca ilegal no rio Tejo.