As buscas para encontrar os dois pescadores ainda desaparecidos ainda não tiveram resultados. O alerta foi dado no passado Sábado, 20 de Dezembro, para o desaparecimento de 3 homens que se dedicavam à pesca da amêijoa na zona do Barreiro, no estuário do Tejo. No próprio Sábado foi encontrado um cadáver na ponta dos Corvos, já no Seixal, e as buscas prosseguiram, com meios marítimos e um helicóptero. A partir de segunda-feira, as autoridades perderam a esperança de encontrar os dois homens e o helicóptero foi dispensado. Ao longo dos dias foi também alargado o perímetro de buscas, inicialmente confinado à zona entre Barreiro e Seixal, e que agora vai desde Vila Franca de Xira até Almada, envolvendo uma área bastante grande para este tipo de esforço. De acordo com a TVI24, a Polícia Marítima empregou esta semana "duas embarcações", cada uma com três elementos, e também o apoio de duas equipas nas margens do rio.


De acordo com o DN, o maior risco para os pescadores de amêijoa que actuam sem barco ou sem equipamento de mergulho é o nevoeiro. Avançando pela água à procura dos melhores locais, se o nevoeiro avançar, é relativamente fácil para qualquer um perder o norte e deixar de ter pontos de referência. A partir daí, se tiver azar ou se entrar em hipotermia ou fadiga, o risco é elevadíssimo. Recorde-se que a pesca da amêijoa, com todos os riscos envolvidos, é um trabalho bem pago, com os valores pagos por quilo a poderem atingir os 4 euros. A actividade, geralmente ilegal e sempre fiscalizada pela Polícia Marítima, garante um rendimento extra a desempregados ou pessoas com baixo rendimento. Por vezes pode tornar-se mais rentável que muitos empregos convencionais, havendo relatos de pessoas a conseguir cerca de 2000 euros/mês (rendimentos não declarados e sem impostos).


O perigo é tanto maior quanto o facto de o risco parecer absurdo ou fácil de controlar, já que pescadores inexperientes não pensam na possibilidade de se perderem dentro de água, julgando que avançaram só alguns metros a partir da margem. Contudo, as vítimas sucedem-se e as histórias de sobreviventes também. O Jornal de Notícias conta a história de um pescador que, aos 15 anos, viu-se perdido no meio do nevoeiro e teve o instinto de gritar e a sorte de ser ouvido na margem. Quem o ouviu respondeu-lhe de volta, e só dessa forma conseguiu voltar a terra firme.