Os sindicatos que representam os trabalhadores da TAP decidiram, em reunião realizada esta quarta-feira, agendar uma greve geral de quatro dias entre 27 e 30 de Dezembro. O momento escolhido coincide com uma das épocas de maior fluxo de passageiros, e muitos deles poderão ver o seu voo cancelado. O conjunto dos doze sindicatos critica a privatização do grupo, lançada no passado mês de Novembro e procura alertar o Governo para a necessidade de dar um passo atrás no processo.

Num comunicado emitido após a assembleia-geral do Sindicato dos Pilotos de Aviação Civil, realizada ontem, a Plataforma Sindical da TAP afirma que o Governo está a excluir os trabalhadores do processo de reprivatização da TAP e a comprometer "a continuidade dos acordos de empresa em vigor, os postos de trabalho, os direitos contratuais estabelecidos e a utilização do trabalho, como sucedeu na Ibéria, por via da redução e da transferência da atividade para outro operador".

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A Plataforma aponta ainda para "os riscos de subcontratação, da implementação de um programa de revitalização empresarial ou de transferência da actividade de voo para outras empresas".

Recorde-se que, só no ano de 2014, a TAP já cancelou cerca de 700 voos devido à greve de pilotos e tripulantes, e estima um prejuízo de 5 milhões de euros por dia, contabilizando apenas a atividade da aviação. Fernando Pinto, presidente da companhia, já fez saber aos trabalhadores que este ano a empresa não terá lucro e que o futuro da TAP começa a estar em causa.

O processo de privatização da TAP não é novo e teve a sua origem no acordo do Governo com a Troika em 2011, mas teve um novo capítulo no mês passado, depois de no final de 2012 ter falhado a primeira tentativa de consumar a venda do grupo. 

Emigrantes com regresso condicionado

Esta greve não poderia vir em pior altura para os emigrantes que nos visitam todos os anos.

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A paralisação dos serviços da TAP e o cancelamento de vários voos irá provocar o congestionamento dos aeroportos e milhares de emigrantes, com regresso marcado para os dias seguintes ao Natal, verão adiado o seu regresso ao trabalho.